Imagine que você seja uma confeiteira e, por conta do enorme sucesso que seus bolos e doces têm feito entre o público, queira expandir o seu negócio. Porém, passar o segredo das suas receitas não faz parte dos seus planos. Ora, sem um mapa estratégico, fica difícil crescer, não é?
Foi-se o tempo em que os dados de um negócio deviam ficar sob a posse exclusiva do chefe. Esse comportamento é ultrapassado e contraproducente.
Comigo, sempre que alguém me nega não só uma receita, mas qualquer informação com medo de eu roubar alguma ideia sua, fico pensando nos grandes inventores, que, com seus feitos, facilitaram nossas vidas.
Já pensou se eles guardassem para si o conhecimento (e as intenções) que tinham? Certamente eu não estaria aqui agora digitando este texto por meio dos recursos do computador.
Para que um projeto não fique só na imaginação — nem no papel — é imprescindível mobilizar pessoas. O ditado “uma andorinha só não faz verão” ainda carrega muito sentido especialmente no contexto empresarial.
E, para engajar uma equipe de forma que ela consiga colocar em prática os propósitos de uma companhia, o mapa estratégico é essencial.
Sendo assim, faço um convite a você, amigo leitor. Vamos juntos conhecer a fundo essa ferramenta?
Mapa estratégico: o que significa?
Para que não fique dúvida sobre o conceito de mapa estratégico, vamos explicá-lo de um jeito bem simples e sucinto, de forma que você consiga utilizar essa ferramenta em seu empreendimento.
Trata-se de uma representação visual contendo os objetivos-chave da empresa e a colaboração esperada de cada área para o atingimento desses propósitos.
Um mapa estratégico bem-feito, como o próprio nome sugere, deve apontar os melhores caminhos a seguir para a empresa se desenvolver de maneira sustentável considerando sua missão, visão e seus valores.
A principal finalidade desse mapa é ilustrar o planejamento estratégico da companhia com base no método Balanced Scorecard (“Indicadores Balanceados de Desempenho” ou BSC, como é abordado pelos gestores).
Criado pelos professores da Harvard Business School, Kaplan e Norton, o BSC é focado no acompanhamento e gerenciamento do progresso das organizações e, para isso, utiliza um quadro onde é possível visualizar os indicadores e as metas do negócio.
O diferencial do BSC é que ele é um modelo de avaliação e performance empresarial que ajuda as corporações a gerir seu desempenho e crescer de forma equilibrada.
Voltando ao mapa estratégico propriamente dito, podemos concluir que ele serve para deixar todo o time na mesma página quanto aos planos da empresa.
Isso permite que cada membro enxergue o impacto de seu trabalho no sucesso global da marca.
E você há de concordar comigo, a sensação de pertencimento é muito satisfatória, o que acaba motivando a equipe a apresentar performances cada vez mais surpreendentes.
Por que minha empresa deve usar o mapa estratégico?
Os mapas, através de uma linguagem, digamos, “universal”, são capazes de facilitar o acesso das pessoas aos mais diversos lugares.
E a relação entre o mapa estratégico e as empresas segue a mesma lógica. Portanto, frente a seu empreendimento, aonde você pretende chegar?
É importantíssimo ter esse destino bem definido para, aí sim, mobilizar e conduzir os diferentes setores da empresa rumo a esse propósito.
Vale destacar que, por ser visual e intuitivo, o mapa estratégico é capaz de mostrar aos colaboradores seus respectivos papéis durante a jornada até alcançar as metas preestabelecidas.
Vamos conferir, a seguir, outros importantes motivos para usar essa ferramenta?
- “Decodificar” o planejamento estratégico da empresa, de forma que o time o compreenda de forma clara e objetiva, colocando-o em prática;
- Mostrar a importância do engajamento de toda a equipe, orientando melhor a competência de cada um, para que os objetivos gerais da organização sejam alcançados;
- Abordar, de maneira simplificada, as ações necessárias para otimizar processos e atingir as metas em cada segmento da companhia;
- Coordenar a atuação conjunta das equipes com base no conteúdo do planejamento estratégico.
Conheça as quatro perspectivas do mapa estratégico
Para criar o mapa estratégico da sua empresa, levando em conta seu modelo de negócio, claro, é fundamental conhecer a estrutura dessa ferramenta.
Ela é dividida nestas quatro perspectivas:
- Perspectiva do financeiro;
- Perspectiva do cliente;
- Perspectiva dos processos internos;
- Perspectiva do aprendizado e crescimento da marca.
Vamos entender com mais profundidade cada uma delas?
Perspectiva do financeiro
Aqui devem ser abordados os passos para que a empresa alcance (e mantenha) a saúde financeira.
Algumas ações devem ser estimuladas e desenvolvidas:
- Redução de custos;
- Aumento das vendas (e da receita);
- Vantagens para os investidores;
- Análise tributária aprofundada para, se possível, otimizar o pagamento de impostos.
Perspectiva do cliente
Quais direcionamentos devem ser feitos para que a satisfação do cliente aumente? Neste momento, refletir sobre essa pergunta é vital.
Levando em consideração as dores e expectativas do público consumidor, é importante propor medidas que permitam, cada vez mais, entregar valor aos consumidores, surpreendendo-os.
Esse comportamento na certa vai contribuir para atrair mais leads, fidelizar clientes e, de quebra, sua empresa sairá em destaque diante da concorrência e terá mais saúde financeira.
Algumas maneiras de surpreender o público consumidor são:
- Cumprir (ou se antecipar a) prazos combinados;
- Melhorar a qualidade dos produtos ou serviços comercializados;
- Usar a estratégia da pontuação das compras e, quando o cliente atingir determinado placar, disponibilizar desconto;
- Manter um relacionamento próximo do cliente, via e-mail marketing ou WhatsApp (desde que haja consentimento dele);
- Humanizar toda a jornada de venda.
Perspectiva dos processos internos
Colocando o core business (e os objetivos principais do negócio) em posição central, o que pode ser feito para otimizar os processos internos da empresa? Essa é a proposta desta perspectiva do mapa estratégico.
Alguns caminhos possíveis aqui são:
- Impulsionar a produtividade do time;
- Estimular o aumento de desempenho;
- Encurtar o ciclo de desenvolvimento de produtos ou serviços;
- Explicar as metas a serem atingidas de maneira clara e objetiva, facilitando a compreensão dos colaboradores.
Perspectiva do aprendizado e crescimento da marca
Essa parte do mapa estratégico abrange as três anteriores.
Nela, você deve entender quais recursos, competências e mudanças são necessários para que a empresa consiga crescer de maneira sustentável, promovendo o aprendizado contínuo entre seus recursos humanos.
Algumas ações que fazem sentido aqui são:
- Investir em cursos para o desenvolvimento ou aprimoramento de novas habilidades dos colaboradores;
- Adquirir novas tecnologias e ferramentas que potencializem as entregas;
- Analisar qual é o conhecimento acumulado da empresa ao longo do tempo, melhorando o que for preciso.
Bom, agora que já conhecemos o conceito e a estrutura do mapa estratégico, além da importância de as empresas utilizarem essa ferramenta, é chegado o momento de aprender como fazer esse mapa.
Continue com a gente!
Passo a passo para montar o mapa estratégico da sua empresa
Aprendendo a montar o mapa estratégico da sua empresa, você terá um esquema com objetivos que pretende alcançar frente ao negócio.
Dessa forma, o caminho rumo ao sucesso empresarial se torna muito mais empolgante e seguro — isso, desde que os dados utilizados no mapa sejam precisos e confiáveis, ok?
Além do mais, não adianta seguir à risca o roteiro do mapa estratégico e ignorar os acontecimentos do mercado, certo? Portanto, fique sempre alerta ao ambiente externo.
Vamos ao passo a passo para criar o mapa estratégico da sua empresa e alcançar resultados cada vez mais incríveis?
Defina o objetivo principal do seu negócio
Neste primeiro momento, você deve apurar informações referentes à cultura organizacional da sua empresa, principalmente as relacionadas a valores, missão e visão do negócio.
A partir dessa apuração, é preciso refletir sobre o real objetivo da companhia. Nesse sentido, três perguntas precisam ser feitas:
- O que você pretende alcançar com a empresa?
- Aonde quer chegar?
- Quais pontos precisam ser alterados (ou melhorados) para atingir os objetivos-chave?
Geralmente, para conquistar esses objetivos, você precisa avaliar alguns indicadores de qualidade da empresa, como, por exemplo:
- O atendimento: será que ele tem deixado a desejar?
- A infraestrutura da empresa precisa passar por alguma reforma?
- As tecnologias usadas na companhia estão ultrapassadas? Se sim, é preciso investir nisso também.
Resolvendo essas pendências, você consegue desenhar melhor o caminho para alcançar os objetivos centrais do negócio. Essas metas geralmente estão relacionadas a:
- Vender mais;
- Aumentar a fatia de mercado;
- Captar leads;
- Aumentar o ticket médio (valor médio de vendas por consumidor) dos clientes fiéis à marca;
- Melhorar a percepção que o público consumidor tem da empresa;
- Sobreviver a eventuais ameaças do mercado.
Determine qual é a proposta de valor da companhia
Para determinar a proposta de valor de qualquer marca, é importante responder à seguinte pergunta: “quais são os benefícios que seu negócio (produtos e serviços estão inclusos) oferece aos clientes?”.
No documento com a descrição da proposta de valor da sua marca, deve haver informações do tipo: como as soluções que sua empresa comercializa melhoram as dores dos clientes; suprem as necessidades desse público e geram valor em suas vidas?
Além disso, outra reflexão que deve ser feita aqui é: “o que leva os consumidores a comprar da sua marca, e não dos concorrentes?”.
Uma vez bem-definida a proposta de valor da sua empresa, fica mais fácil elaborar os passos do mapa estratégico, descrevendo as ações necessárias para cumprir com essa proposta.
Demonstre as estratégias financeiras
Os objetivos financeiros são obviamente a base de qualquer negócio. Por isso, o mapa deve ser fundamentado também por esse pilar.
As metas que devem ser abordadas aqui são: de produtividade; de receita; de lucratividade e outros indicadores importantes para a gestão financeira.
É importante definir essas metas considerando a atual situação financeira do negócio e os objetivos financeiros para o curto, médio e longo prazos.
Estabeleça as estratégias voltadas para os clientes
Para que a saúde financeira da sua empresa se mantenha equilibrada e em crescimento contínuo, a satisfação do público-alvo precisa ficar “lá em cima”. Do contrário, os clientes, mais cedo ou mais tarde, irão debandar, procurando soluções na concorrência.
Lembrando que consumidores satisfeitos tendem não só a se tornarem fiéis à marca, como também passam a gastar mais ali.
Destacamos também que o público não procura sua marca meramente para comprar produtos e serviços. O valor agregado hoje em dia é muito valorizado pelos consumidores modernos.
Por isso, o preço, o prazo para entrega e a qualidade dos produtos e serviços são apenas o básico oferecido pelas empresas.
A experiência do cliente é que deve ficar no centro das ações da organização, isto é, tudo deve ser pensado para não só satisfazer o cliente, mas surpreendê-lo.
Algumas questões que devem ser levantadas nesta perspectiva:
- Que práticas adotar para aumentar a captação e retenção de clientes?
- De que forma é possível aumentar a receita por cliente?
- Como melhorar o relacionamento com o público consumidor da marca?
- Será que vale a pena investir em novos nichos do mercado?
Destaque as estratégias dos processos internos
Sem tirar o olho do mercado, é importante redobrar a atenção nos processos internos da empresa.
Se o objetivo do negócio é aumentar as vendas e conquistar mais clientes, será preciso ajustar um parafuso ou outro na gestão interna até atingir esses propósitos.
Aqui é importante tanto divulgar objetivos genéricos, como aprimorar as tomadas de decisão e implementar novas tecnologias, quanto inserir metas específicas para cada área.
Por exemplo, com a onda dos podcasts, a empresa pode se promover utilizando mais esse recurso.
Mostre as estratégias de crescimento da marca
Aqui devem ser listados todos os recursos necessários para o crescimento sustentável da marca. Esses recursos podem ser divididos em três categorias:
- Capital estrutural: rotinas, softwares, ferramentas de gestão e tecnologias que permitem o funcionamento da empresa;
- Capital humano: acúmulo de competências, habilidades e experiências dos times que ficam a serviço do negócio;
- Capital intelectual: patrimônio de informação e conhecimento acumulado pela empresa.
Busque referências visuais para desenhar seu mapa estratégico
Todo mapa é composto essencialmente de recursos visuais. Levando isso em conta, é interessante que o mapa estratégico da sua empresa tenha uma aparência, digamos, atraente.
Por mais que ele deva ser original, sugiro que você conheça os mapas estratégicos de outras empresas, de preferência as grandes corporações, para que possa entendê-lo na prática e criar o seu.
Nessa verificação, será possível identificar, por exemplo, que a ferramenta é dividida em linhas horizontais contendo as quatro perspectivas a serem avaliadas e desenvolvidas.
Para cada categoria, vai ser preciso realizar um brainstorming com a equipe e pensar nos meios para promover as melhorias necessárias.
As melhores ideias levantadas podem ficar guardadas em caixas e, por meio de um revezamento, serem colocadas à vista de todos no momento oportuno.
Bem prático, né?!
E, assim, vamos finalizando mais um guia com conteúdo totalmente aplicável à sua empresa.
Partiu criar um mapa estratégico e, com o engajamento do time, alavancar os resultados do seu negócio? Por falar em time, qual é a imagem da sua empresa enquanto marca empregadora? Leia nosso conteúdo sobre employer branding e se torne referência de liderança.