Carl Jung dizia “todos nós nascemos originais e morremos cópias”. De fato essa frase faz muito sentido, porque, desde a infância, costumamos observar e reproduzir comportamentos alheios e isso é extensivo ao mundo corporativo (mais especificamente ao benchmarking). A propósito, o que é benchmarking?

Neste guia iremos responder a essa pergunta para entender verdadeiramente o que é benchmarking e, além disso, explorar os desdobramentos dessa estratégia. Confira abaixo os tópicos que você vai ver por aqui.

  • O que é benchmarking;
  • Que ganhos a análise da concorrência traz para a sua empresa;
  • Como o benchmarking funciona na prática — siga o passo a passo;
  • O que não fazer ao analisar a concorrência;
  • Principais tipos de benchmarking.

O que é benchmarking?

“A grama do vizinho é sempre mais verde” — não é assim que fala o ditado popular? Sem dúvida, ele ilustra muito bem o hábito que temos de fazer comparações.

Desde a infância, comparamos nossos brinquedos, nossa aparência, nossas roupas com as dos coleguinhas e seguimos agindo assim até a fase adulta.

O mundo corporativo não poderia escapar desse comportamento, afinal, ele é movido principalmente por recursos humanos.

E é aí que entra o benchmarking. Vamos entendê-lo? Para isso, a pergunta inicial que fazemos é: o que é benchmarking?

Traduzindo do inglês para o português, o termo benchmarking pode ser entendido como “ponto de referência“.

Na prática, trata-se de uma estratégia em que uma empresa toma como referência outras empresas para comparar produtos, serviços, processos e práticas utilizadas em geral.

E por que essa comparação é feita? Primeiramente com o intuito de entender como a própria marca está desempenhando em relação à concorrência.

Nesse sentido, é possível identificar as falhas que vêm sendo cometidas e repará-las.

Assim, tendo alguns comportamentos que estão dando certo em outras organizações como referencial, fica mais fácil estabelecer métricas para o próprio negócio, de forma a aumentar sua visibilidade no mercado.

Em suma, na busca por entender o que é benchmarking, é importante considerar os pontos fortes das empresas de sucesso e replicá-los no seu empreendimento.

Por outro lado, é fundamental, a partir desse comparativo, enxergar os pontos fracos do seu negócio, otimizá-los e, se possível, eliminá-los ao longo do tempo.

Lembrando que não importa o tamanho da sua empresa — seja você CEO de uma multinacional, microempresário ou até mesmo autônomo — fato é que, se algum empreendedor atua no mesmo ramo que o seu e vem apresentando melhor desempenho, fique de olho nele.

Analise por que o concorrente está em posição de vantagem e, a partir disso, aplique as melhorias necessárias no seu estabelecimento.

Ah, fique tranquilo, porque fazer benchmarking não significa roubar ideias, e sim observar o modus operandi de outras empresas e aplicar os detalhes que julgar relevantes na sua marca de maneira a impulsioná-la.

Agora que já sabemos o que é benchmarking, vamos passar para a segunda parte deste guia, em que iremos explorar as vantagens dessa prática. Continue por aqui com a gente.

Que ganhos a análise da concorrência traz para a sua empresa?

Uma marca que queira se manter sólida no mercado não deve se fechar em uma bolha, pois, agindo assim, é improvável que ela consiga crescer e apresentar bons resultados comerciais.

Abaixo iremos mostrar as principais vantagens trazidas pela prática do benchmarking.

  • Identificar tendências de mercado e, lançando mão principalmente de boas estratégias de marketing, antecipar-se à concorrência;
  • Proporcionar maior autoconhecimento na medida em que se avalia o comportamento de empresas do mesmo segmento e se amplia a visão interna da própria marca;
  • Descobrir práticas bem-sucedidas de companhias que possuem conhecimentos mais aprofundados sobre determinado assunto;
  • Motivar a equipe a alcançar as metas, alegando que, se outras empresas conseguiram atingir determinados resultados, é possível obtê-los também;
  • Aproximar-se dos players de mercado e aprender com eles;
  • Entregar produtos e serviços cada vez mais encantadores a partir do conhecimento acumulado com a observação de outras empresas;
  • Ampliar a margem de lucro, reduzir os custos e otimizar processos internos;
  • Tornar-se referência no segmento em que atua.

Como o benchmarking funciona na prática — siga o passo a passo

Sabido o que é benchmarking e as principais vantagens que ele traz para as empresas, é chegado o momento de aprender a colocá-lo em prática. Este tópico é dedicado a isso. Siga com a gente!

1 – Faça uma análise interna da sua empresa

O primeiro passo a ser dado para pôr o benchmarking em prática diz respeito a olhar para dentro da sua empresa, propor uma reunião com os colaboradores e analisar a rotina de trabalho.

Algumas perguntas que podem ser feitas neste estágio são:

  • O que a sua empresa representa;
  • Como o staff se sente ao desempenhar suas funções;
  • Quais são as expectativas coletivas e individuais dos colaboradores;
  • Que falhas eles enxergam no dia a dia das atividades.

É importante levantar essas informações, pois, para melhorar a perspectiva macro da empresa, é necessário resolver questões da esfera micro primeiramente.

2 – Eleja de um a três concorrentes para monitorar

Este é o momento de identificar quem são seus concorrentes diretos e monitorá-los.

Aqui novamente é importante conhecer a fundo sua empresa, a fim de enxergar o que a concorrência pode trazer de inspirador para ela, de maneira a cobrir suas lacunas.

Não é recomendado escolher mais de três empresas para serem analisadas, porque o foco do benchmarking pode ser prejudicado, afinal, são muitos dados a avaliar.

Mais importante que colecionar números e informações, a aplicação do benchmarking deve estar voltada para a capacidade analítica da concorrência.

3 – Defina os indicadores de avaliação

Após eleger os concorrentes que serão analisados, é preciso escolher quais referências devem ser acompanhadas.

Alguns indicadores das empresas “rivais” que podem ser avaliados são:

  • Preços praticados;
  • Inovações nos processos de trabalho e, consequentemente, no atendimento prestado e nas entregas feitas aos clientes;
  • Ações promocionais;
  • Estratégias de marketing;
  • Presença da empresa em eventos destinados ao segmento;
  • Atuação do empreendimento nas redes sociais;
  • Reputação da marca e qualidade dos conteúdos divulgados por ela.

Além de avaliar essas questões, considere os pontos de melhoria da sua empresa e observe como os concorrentes lidam (lidariam) com eles.

4 – Estude as informações que foram apuradas

Apurados os dados importantes referentes aos indicadores das empresas concorrentes, é hora de estudá-los e, mais que isso, compará-los com os da sua companhia.

Neste momento, verifique — levando em conta a diferença de contexto entre as empresas — o que pode (e deve) ser alterado na sua marca e o que pode ser mantido como está.

5 – Implemente as melhorias de forma contínua

É impossível aplicar o resultado do benchmarking em uma única empreitada.

Então, sempre que sua empresa estiver diante de um gap a ser vencido, analise os dados da concorrência e questione “como ela sairia dessa situação?”.

Além disso, mobilize sua equipe de forma que, baseando-se no que foi apurado com o benchmarking, ela adote ações que possam impulsionar os resultados da empresa.

Reúna o time para dar feedback constante, mapeando o que vem sendo feito de forma bem-sucedida e o que ainda precisa ser melhorado.

O que não fazer ao analisar a concorrência

Quando utilizado de forma equivocada, o benchmarking pode gerar zero efeito na companhia ou complicar ainda mais sua situação. E nenhum empreendedor quer passar por esse tipo de apuro, né?

Pensando nisso, preparamos este tópico para você, caro leitor. Logo abaixo iremos mostrar o que não fazer no benchmarking.

  • Aplicar o benchmarking como se ele fosse algo pontual, que deve ser feito uma única vez e pronto;

Lembre-se de que o benchmarking é um trabalho contínuo. Não o utilize apenas uma vez esperando resultados imediatos nem pense que uma única coleta de informações será suficiente.

  • Realizar o benchmarking sem ter objetivos predefinidos para a sua empresa;

A comparação do seu empreendimento com outros semelhantes deve ser feita de forma a obter algumas respostas que possam impactar positivamente seu negócio.

  • Não usar ferramentas para registrar os dados coletados com o benchmarking nem para documentar os resultados obtidos;

Ao negligenciar o monitoramento do desempenho da novidade incorporada, não dá para saber se houve de fato melhorias para a produtividade e a qualidade do negócio.

  • Fazer comparações entre empreendimentos muito distintos;

Pegar uma empresa internacional como referência de gestão e marketing, por exemplo, pode ser ilusão. Afinal, será que o modelo de negócio utilizado por ela é aplicável ao seu empreendimento?

Por mais que pertençam ao mesmo segmento, comparar uma empresa estatal com uma privada não é uma boa alternativa, porque elas atuam de maneira bem distinta.

Além disso, fazer o benchmarking entre empresas com faturamento muito discrepante não é o ideal.

Isso porque as conclusões alcançadas podem ser um pouco distorcidas, já que empreendimentos com porte diferente tendem a ter uma realidade meio incompatível.

  • Não conseguir transformar a conclusão do benchmarking em tomadas de atitude que de fato poderiam mudar a rotina (e as entregas) da empresa.

Até este ponto do artigo, já vimos o que é benchmarking, como aplicá-lo, as vantagens que ele traz para as empresas e o que não fazer ao lançar mão dessa estratégia.

A seguir mostraremos os principais tipos de benchmarking, de forma que você escolha aquele que irá atender melhor às necessidades da sua marca neste momento. Vamos lá?

Principais tipos de benchmarking 

Existem vários tipos de benchmarking e, como dissemos, cada um auxilia a empresa de uma forma. Abaixo iremos apresentá-los e mostrar como eles funcionam.

Competitivo

É usado para avaliar e comparar a organização de maneira global, isto é, desde seus processos internos até a satisfação do consumidor final do produto ou serviço.

Há algumas maneiras, mais simples e mais complexas, de adotar o benchmarking competitivo. As mais simples estão relacionadas a pesquisas informais, como:

  • Ler periódicos (jornais, revistas etc.) do seu segmento;
  • Conversar com pessoas do ramo;
  • Pesquisar na Internet sobre a concorrência.

As mais complexas, como o próprio nome sugere, envolvem técnicas mais avançadas, como: avaliação de resultados competitivos divulgados no mercado e o uso de métodos como o “cliente oculto“, que permite conhecer o concorrente mais a fundo.

Genérico

O benchmarking genérico é utilizado entre empresas que possuem processos parecidos, embora não necessariamente pertençam a um mesmo segmento nem ofereçam produtos ou serviços semelhantes.

A comparação aqui visa avaliar determinados aspectos que garantem o funcionamento da empresa.

Por exemplo, sua loja precisa desenvolver uma sequência de ações que abarque desde o registro de um pedido até a entrega do produto/serviço ao cliente final, avaliando o tempo gasto para isso.

Para elaborar esse processo, é interessante partir para a observação de outras companhias que têm um fluxo semelhante.

Funcional

No benchmarking funcional, buscam-se etapas que podem ser replicadas em qualquer empreendimento — não importando se eles sejam semelhantes ou disputem o mesmo segmento do mercado.

Por exemplo, uma empresa com uma gestão financeira bem-feita pode se tornar referência a diferentes organizações, afinal, todo negócio deve dar a devida atenção ao próprio caixa.

Interno

Diferentemente dos outros tipos de benchmarking, este busca analisar os dados da própria empresa — seja em unidades diferentes que obtiveram sucesso ou em outras áreas da mesma organização.

A aplicação do benchmarking interno não envolve muitos gastos, visto que dispensa pesquisas externas. Além disso, ela é mais simples, porque utiliza como referência os processos internos da própria empresa.

De cooperação

Duas empresas estabelecem uma parceria para compartilhar boas práticas. Basicamente é assim que funciona o benchmarking de cooperação.

Ele também pode ocorrer quando uma empresa-modelo revela alguns de seus processos a outras organizações de forma que elas sigam uma “cartilha de aprendizado”.

Imagine que determinada marca apresente bom desempenho no relacionamento com o cliente e outra, nas vendas.

Seguindo os princípios do benchmarking de cooperação, elas podem crescer juntas baseando-se nas próprias estratégias que vêm dando bons frutos.

Qual desses tipos de benchmarking seria o ideal para a sua empresa neste momento, hein?

Sabendo o que é benchmarking e as implicações do tema, pudemos perceber que ele pode trazer resultados surpreendentes para as empresas. Aliado a um bom planejamento estratégico então… Por isso, preparamos um artigo superespecial sobre o assunto. Clique aqui e confira. Até a próxima!