Para acompanhar a transformação digital, que se mostra cada vez mais presente nas empresas, o mercado exige uma nova postura de quem está envolvido nessa mudança. E a Cultura Ágil surge como uma solução para essa demanda.
Desde já é importante deixar claro que a ideia de agilidade aqui não está relacionada apenas a entregas rápidas de resultados.
O que mais importa na Cultura Ágil é a capacidade de adaptação das companhias às tecnologias e às necessidades do consumidor, de forma a atendê-lo de maneira eficiente e surpreendente.
As startups e fintechs estão aí para provar que as constantes mudanças no mercado exigem das empresas de todos os segmentos respostas mais ágeis, dinâmicas e assertivas.
Diante de um cenário cada vez mais competitivo, é fundamental entender a lógica da Cultura Ágil e como ela ajuda um negócio a inovar, crescer continuamente e entregar valor aos clientes.
E a proposta deste guia é justamente abordar essas questões. Acompanhe a leitura, amigo leitor.
O que é Cultura Ágil?
A Cultura Ágil é um modelo de gestão pensado para atender o ambiente de negócios do século XXI, em que a transformação digital ocupa posição de destaque.
O objetivo principal dessa cultura é transformar a maneira como líderes e gestores gerenciam e investem tempo e recursos em processos, produtos e serviços.
Por meio de times multidisciplinares capazes de se auto-organizar, a Cultura Ágil se guia por ciclos interativos que promovem constante flexibilidade às variações inerentes à Indústria 4.0.
Nela, os consumidores se mostram cada vez mais exigentes e os produtos e serviços, para atender as demandas desse público, tornam-se mais complexos.
A ideia de agilidade por trás da Cultura Ágil, por mais que valorize a velocidade das entregas, não descarta a necessidade de agregar qualidade às soluções oferecidas aos consumidores.
Com a satisfação dos clientes sendo prioridade, métodos ágeis são utilizados para promover mais eficiência nas interações com eles e trazer mais valor aos produtos e serviços entregues.
É importante destacar que empresas que colocam em prática a Cultura Ágil dão muito valor a: cooperação e colaboração; maior horizontalidade na hierarquia e otimização de processos.
Para que a Cultura Ágil funcione verdadeiramente, é preciso implementar uma nova mentalidade dentro das empresas.
Nessa transformação, deve haver um estímulo à autonomia das equipes, de forma que cada um tenha plena consciência das suas responsabilidades individuais e cobre resultados do outro, sem hierarquia.
O Manifesto Ágil e a origem da Cultura Ágil
O Manifesto Ágil é um documento que possui 4 valores básicos e 12 princípios que norteiam a Cultura Ágil até hoje.
Esse documento surgiu na área de desenvolvimento de software e, a princípio, tinha como objetivo central combater a burocratização exagerada de processos.
Ao longo do tempo ele vem se estendendo por várias outras áreas.
Dos valores defendidos por esse manifesto, destacamos:
- Transparência;
- Autonomia e empoderamento dos recursos humanos;
- Delegação de responsabilidades;
- Maior interação entre as pessoas e menos ferramentas;
- Geração de valor para o negócio em um tempo reduzido.
Quando o Manifesto Ágil passa a fazer parte da cultura organizacional de uma empresa, é possível aproximar colaboradores de clientes, além de aumentar o potencial de sua marca se tornar escalável.
Os 4 valores do Manifesto Ágil
Vamos conhecer os 4 valores do Manifesto Ágil?
1 – Indivíduos e interações devem se sobrepor a processos e ferramentas
O desenvolvimento de softwares é uma atividade humana e, por mais que ferramentas e processos sejam importantes nessa tarefa, eles devem ser usados de maneira sensata.
A comunicação interpessoal no desenvolvimento de sistemas é uma grande aliada, pois permite diminuir ruídos e gaps, aproximar pessoas e consequentemente contribuir para a criação de soluções surpreendentes.
2 – Software funcionando vale mais do que uma documentação abrangente
Quando começamos a usar o WhatsApp, ele não contava com todos os recursos que oferece hoje, não é mesmo?
Seguindo essa lógica, dá para perceber que um software funcionando é muito mais importante do que um plano muito bem elaborado que não sai do papel.
Clientes pagam por resultados e um app em funcionamento, mesmo que sem explorar todos os possíveis recursos, é um sinal de que o trabalho foi bem executado.
3 – Colaboração do cliente acima de negociações de contratos
Em nenhuma hipótese, devemos agir como adversários na relação com o cliente. A palavra-chave entre time de desenvolvimento e cliente é “colaboração”.
Levando isso em conta, em vez de ficar bitolado em contratos rígidos, deve-se pautar as tomadas de atitude nos objetivos apresentados pelo cliente.
4 – Responder a mudanças em vez de seguir à risca um plano
Levar em conta feedbacks recebidos ao longo do processo e observar o cenário externo é fundamental para dar o rumo certo às operações de uma empresa.
Isso não elimina a necessidade de ter um plano. Mas é importante estar preparado para realizar eventuais mudanças que se mostrarem necessárias.
12 princípios que inspiram a Cultura Ágil
O foco central do Manifesto Ágil é promover melhorias contínuas nas entregas destinadas aos clientes, o que envolve aprimoramento de produtos, serviços, processos e atendimento.
Para que essas melhorias aconteçam de fato, é importante estimular a colaboração entre os times e o compartilhamento de ideias entre os públicos interno e externo.
A seguir, vamos apresentar os 12 princípios do Manifesto Ágil, que formam os valores da Cultura Ágil.
- Satisfação do cliente
A prioridade é a satisfação do cliente, por meio de entregas contínuas e adiantadas de software com valor agregado.
Para outros segmentos (além do de Tecnologia da Informação), o oferecimento de produtos e serviços de valor deve ser contínuo.
- Mudança em favor da vantagem competitiva
As mudanças devem ser sempre bem-vindas, já que favorecem os clientes. Ainda que sejam propostas em fases já avançadas do desenvolvimento de produtos ou serviços, essas mudanças devem ser acatadas, pois podem trazer vantagem competitiva para os clientes.
- Prazos curtos
Os prazos de entregas dos produtos ou serviços devem ser curtos. Entregar software em funcionamento com frequência — de preferência, semanalmente ou mensalmente.
Essa lógica vale para outros setores também. Empresas que aplicam a Cultura Ágil devem fazer entregas contínuas, pois, quanto menos tempo produzindo, um maior número de produtos e serviços poderá ser entregue.
- Trabalho em conjunto
O trabalho em equipe deve ser estimulado dia após dia, de forma que desenvolvedores e negociantes ajam conjuntamente durante todo o curso do projeto.
Em outras áreas que aplicam a Cultura Ágil, é importante valorizar práticas multidisciplinares para agilizar processos e oferecer entregas com mais valor agregado.
- Ambientação e suporte
Os projetos da empresa devem ser executados por pessoas motivadas e, para promover essa motivação, é preciso dar a elas ambiente e ferramentas para desenvolver o trabalho.
- Conversa face a face
Para a Cultura Ágil funcionar de maneira plena em uma empresa, o ideal é que a comunicação (tanto interna como externa) aconteça via conversa face a face.
- Funcionalidade
Um software em funcionamento é sinal de progresso do projeto. Da mesma forma, um produto final funcionando com qualidade reflete o sucesso dos processos empresariais.
- Ambiente de sustentabilidade
A sustentabilidade é outro ponto-chave da Cultura Ágil. Nela, os agentes envolvidos devem manter um ritmo constante de empenho para manter essa cultura funcionando.
- Padrões altos de tecnologia e design
A constante atenção à excelência técnica e ao bom design aumenta a agilidade dos processos.
Na Cultura Ágil, é importantíssimo observar e manter a qualidade do atendimento, das ferramentas e dos procedimentos da empresa.
- Simplicidade
A simplicidade é outra prioridade da Cultura Ágil. Nesse sentido, esforços que não geram valor devem ser eliminados e quanto mais simples for uma solução, mais resultado ela pode gerar.
- Autonomia
Organização e autonomia são palavras de ordem para equipes que seguem a Cultura Ágil. Com esses dois atributos é possível atender, de maneira muito mais ágil, às demandas da empresa.
- Reflexões para otimizações
Fazer intervalos regulares na rotina é muito importante e faz parte da essência da Cultura Ágil. Nessas pausas, as equipes conseguem refletir sobre processos que podem ser otimizados.
Como implementar a Cultura Ágil?
Para que a Cultura Ágil funcione efetivamente em uma empresa, é importante que as lideranças inspirem os colaboradores a não só “apagar incêndio”, mas principalmente transformar a companhia em um negócio competitivo e sustentável.
Tenha equipes mais enxutas
Para que as lideranças consigam acompanhar de perto o que cada membro de um time está fazendo, é importante ter equipes mais enxutas.
Dessa forma, a gestão das tarefas e a mensuração do desempenho das atividades são facilitadas.
Além do mais, times muito grandes podem se dispersar durante a execução das tarefas. Ao mesmo tempo que ruídos de comunicação podem representar um empecilho para o bom andamento das operações.
Como se isso não bastasse, conciliar as agendas, especialmente em tempos de trabalho à distância, pode ser mais complicado.
Em resumo, times mais enxutos favorecem a implementação da Cultura Ágil, porque tornam a cooperação e a comunicação uma constante e reduzem o excesso de etapas nos processos da empresa.
Distribua bem as responsabilidades entre os colaboradores
Parece óbvio dizer isto, mas não é: todos os colaboradores de uma empresa devem ter responsabilidades predefinidas. Assim, eles se mantêm engajados nas tarefas e podem dar o seu melhor àquilo que é designado a cada um.
Sem a atribuição de responsabilidades, a procrastinação, a frustração e a desmotivação podem surgir, atrapalhando as entregas em médio e longo prazos.
Por outro lado, com cada um sendo responsável por determinadas funções, é possível dissolver o empenho coletivo entre todos os integrantes da equipe.
Sendo assim, ocorrências como Burnout tendem a diminuir, uma vez que nenhum membro do time deverá ser sobrecarregado.
Quebre hierarquias
Uma vez sabendo suas responsabilidades na empresa, os colaboradores não precisam ser submetidos a um, digamos, “comando central”.
O autogerenciamento é uma característica importante da Cultura Ágil e ele elimina a necessidade de muitas ordens diretas e a fiscalização do trabalho.
Diante desse novo tipo de gestão, as lideranças abandonam o comportamento de “chefia” tradicional e adotam uma postura de mais colaboração, encaminhamento e apoio do time.
Pratique a liderança de apoio
Na Cultura Ágil, os líderes devem ser facilitadores e apoiadores de suas equipes, orientando e dando o suporte necessário para que elas cumpram com suas obrigações com o máximo de empenho possível.
A liderança de apoio deve inspirar os líderes a ajudar o time no sentido de eliminar inseguranças, destravar processos e facilitar entregas que devem ser feitas.
Aposte na comunicação transparente
As informações da empresa devem ser acessíveis a todos os colaboradores, pois essa transparência facilita o acompanhamento dos projetos e até mesmo a execução das tarefas.
Enquanto líder de uma companhia que aplica a Cultura Ágil, é importantíssimo compartilhar o status de entregas para que todo o time fique ciente do que acontece na empresa.
Vantagens de utilizar a Cultura Ágil
A Cultura Ágil envolve os diferentes setores de uma empresa. Do RH, passando pelos processos de produção até o pós-venda, as práticas de todo o ambiente organizacional são unificadas e otimizadas por essa cultura.
Na rotina da organização, times de todas as áreas são impactados pelas vantagens da Cultura Ágil. A partir de agora, iremos mostrar as principais delas. Confira!
Construção de novos valores
A Cultura Ágil proporciona uma transformação significativa na empresa, na medida em que permite que os colaboradores construam, de forma coletiva, novos valores para o negócio.
Nesse processo, os times são encorajados a agir como se estivessem no lugar dos clientes.
Dessa forma, a companhia pode ter um crescimento orgânico e seus produtos e serviços passarão por constantes adaptações às exigências do mercado.
Mais autonomia aos times
Com a definição das metas da empresa e a partir da construção de valores de forma coletiva, as equipes passam a desenvolver suas tarefas do dia a dia com mais autonomia.
A Cultura Ágil permite que os colaboradores organizem suas pautas diárias e tomem decisões sem a necessidade da aprovação dos gestores.
Tendo mais autonomia, os colaboradores ficam muito mais engajados nos projetos da empresa se levarmos em conta o comportamento deles em culturas organizacionais mais tradicionais, baseadas em hierarquia e controle.
Aumento da produtividade
Com mais autonomia e engajamento, os colaboradores aprimoram a interação entre si, identificam-se melhor com os projetos e, com isso, as operações ganham muito mais agilidade.
Como consequência, aumenta-se a produtividade e os resultados da companhia tendem a melhorar cada vez mais. E os clientes sentem essa transformação.
Se a Cultura Ágil é voltada para atender a transformação digital, terminamos este guia convidando você a mergulhar em um tema muito pertinente: Mundo VUCA e Mundo BANI. Garanto que você vai ganhar muito com essa leitura. Até a próxima!