Segundo a OMS, podemos definir a síndrome de Burnout como “uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito”.
Também conhecida como a síndrome do esgotamento profissional, a síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico provocado pelo cansaço extremo, decorrente de dificuldades no trabalho, problemas familiares e excesso de obrigações.
Você conhece alguém que vem se queixando de sentir exaustão e ter pensamentos negativos, além de baixa produtividade no trabalho? É provável que essa pessoa esteja sofrendo da síndrome de Burnout.
Vamos entendê-la mais a fundo, mapeando os sintomas mais comuns e as medidas de prevenção?
Confira os tópicos que iremos abordar ao longo deste guia, caro leitor:
- Síndrome de Burnout: o que é?
- Quais são os principais sintomas da síndrome de Burnout?
- Como a síndrome de Burnout se manifesta nas empresas?
- O que sua empresa pode fazer para prevenir a síndrome de Burnout na equipe?
Síndrome de Burnout: o que é?
A palavra burnout é de origem inglesa e, em uma tradução livre, corresponde a “queimar-se por completo”.
Podemos definir a síndrome de Burnout como um transtorno psíquico determinado por esgotamento e estresse ocasionados por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes.
Com o acúmulo de obrigações profissionais, as pessoas acabam se rendendo a um ritmo de vida extenuante que, se não for interrompido, fará com que elas se tornem incapazes de realizar até tarefas simples.
O Burnout foi catalogado por Herbert Freudenberger, psicanalista alemão, em 1974. Nesse ano, ele trabalhava 12 horas por dia e, à noite, atendia até 10 adictos por hora em uma clínica de reabilitação.
Como consequência, o próprio Freudenberger, acometido por estafa física e mental, ficou de cama.
Mapeando as classes mais atingidas pelo Burnout, destacamos professores e policiais, mas qualquer profissional, especialmente os que têm envolvimento interpessoal intenso, está sujeito a essa síndrome — artistas, executivos, funcionários públicos e trabalhadores domésticos.
Os especialistas revelam que o diagnóstico da síndrome de Burnout não é tão simples de ser feito. Exame de sangue, ressonância e até mesmo um exame clínico, nada disso é capaz de acusar o Burnout.
A identificação da síndrome vem especialmente da escuta atenta das queixas do paciente e de uma análise detalhada das condições de trabalho que ele enfrenta.
Ao procurar ajuda de um psicólogo para atestar a síndrome, é possível que ele aplique o questionário Maslash Burnout Inventory (MBI) que define e quantifica o Burnout.
Vamos ver agora os principais sintomas do burnout.
Quais são os principais sintomas da síndrome de Burnout?
A exaustão física é o sintoma preponderante do Burnout. E ela não passa nem com horas de sono. Associada a essa fadiga extrema está certa aversão à atividade profissional desempenhada e sensação de incapacidade.
Então, é preciso ficar atento a essa condição, ok?
Além dessa tríade, os sintomas listados a seguir abaixo são bem comuns na síndrome de Burnout:
- Dores de cabeça e musculares frequentes;
- Fadiga excessiva, tanto física quanto emocional;
- Excesso de transpiração;
- Pressão alta;
- Dificuldade respiratória;
- Alergias na pele;
- Disfunções gastrointestinais;
- Taquicardia;
- Alterações no apetite;
- Insônia e mudanças na frequência e qualidade do sono;
- Dificuldade de concentração;
- Irritabilidade;
- Agressividade;
- Isolamento social;
- Pessimismo, insegurança, baixa autoestima;
- Apatia e falta de esperança;
- Perda de prazer por alimentos de que antes costumava gostar e por momentos anteriormente tidos como agradáveis;
- Ausências constantes no trabalho;
- Mudanças repentinas de humor;
- Falhas de memória;
- Ansiedade;
- Depressão;
- Problemas de raciocínio;
- Falta de motivação;
- Sentimento de inferioridade;
- Perda da criatividade;
- Preocupação constante e exagerada.
É importante destacar que o estresse é um dos principais gatilhos para a síndrome do Burnout, porém traços da personalidade e até estilo de vida podem contribuir para esse esgotamento excessivo.
Como a síndrome de Burnout se manifesta nas empresas?
A síndrome de Burnout não ataca um perfil específico de profissional. Nesse sentido, não importa se um trabalhador exerça atividade predominantemente braçal, criativa ou tecnológica.
Então, independentemente do cargo e ou da hierarquia ocupada por um colaborador em uma empresa, ele pode se deparar com o Burnout.
Alguns fatores em especial contribuem para o desenvolvimento da síndrome. São eles:
- Jornada de trabalho muito extensa e cansativa;
- Exposição constante a situações ou locais de risco, que exigem uma série de cuidados para a autopreservação;
- Acúmulo de funções que requerem habilidades com as quais o colaborador não está acostumado;
- Necessidade de muitas horas extras — inclusive levando trabalho para casa — de forma que o trabalhador dê conta de realizar todas as tarefas designadas para ele;
- Falta de incentivo ou até mesmo depreciação por parte dos colegas de trabalho e dos gestores;
- Cobrança excessiva dos supervisores;
- Pouco comprometimento com a responsabilidade social empresarial;
- Conflitos persistentes nas relações interpessoais na empresa;
- Falta de uma boa estrutura para desempenhar o trabalho de maneira mais eficiente, resultando em tarefas repetitivas e falta de motivação.
Diante dessas condições, os colaboradores afetados pela síndrome de Burnout acabam tendo uma performance deficitária, cometendo mais erros nas tarefas que executam e diminuindo, consequentemente, a produtividade.
Não podemos deixar de esclarecer que o Burnout pode impactar diferentes setores de uma empresa — desde as operações, passando pela comunicação entre a equipe até o atendimento ao cliente final.
Vale lembrar que o ambiente de trabalho exige que tomemos decisões a todo momento e o Burnout, por trazer problemas de raciocínio, como mencionamos no tópico anterior, compromete as tomadas de atitude de fato eficientes.
Confira, logo abaixo, os principais impactos do Burnout no dia a dia de trabalho em uma empresa.
Queda na produtividade
Uma vez afetado pelas condições descritas acima, o indivíduo que sofre de Burnout na certa terá um desempenho aquém do esperado na empresa.
Isso porque a síndrome provavelmente o deixará desmotivado, infeliz com o trabalho que desenvolve e, como consequência, menos produtivo.
Essa condição afeta tanto a autoestima do trabalhador quanto os resultados da companhia.
Comprometimento da reputação da empresa
Não é raro ouvirmos reclamações do tipo: “trabalhar naquele lugar é terrível; tiram até o nosso couro”.
Que pessoa, em plenas condições físicas e mentais, gostaria de ter um emprego assim?
Então, é mais do que importante a sua empresa se preocupar com a chamada employer brand (marca empregadora), isto é, com o que você faz para as pessoas quererem trabalhar no seu empreendimento?
É fundamental refletir sobre isso quando se deseja atrair talentos para a sua marca.
Quando o Burnout é uma realidade na sua companhia, ele pode prejudicar o processo de recrutamento de bons profissionais, pois eles geralmente optam por trabalhar em locais sadios e equilibrados.
Aumento do absenteísmo e alta rotatividade de pessoal
O Burnout pode levar a faltas frequentes no trabalho, que é o absenteísmo e ao turnover, que é a alta rotatividade de colaboradores na empresa.
Se esses dois fenômenos estão fazendo parte da realidade da sua empresa, é imprescindível investigar a origem do problema. Para essa checagem, vale a pena fazer uma pesquisa de satisfação interna.
Ambiente de trabalho ruim
Imagine ser submetido a uma carga horária de trabalho intensa e, para piorar, sofrer muita pressão das lideranças.
Sem dúvida, esse tipo de situação afeta o clima organizacional, tornando-o ruim. A equipe, então, torna-se insatisfeita com o trabalho e sua produtividade também fica comprometida.
O que sua empresa pode fazer para prevenir a síndrome de Burnout na equipe?
A partir de 1º de janeiro de 2022, a síndrome de Burnout, que já vem sendo considerada um problema de saúde mental e estresse crônico decorrente do trabalho, recebe a classificação oficial da OMS como “síndrome ocupacional“.
Se antes os colaboradores afetados pela síndrome preocupavam os gestores das empresas, devido a apresentarem queda na produtividade e absenteísmo, agora os efeitos ocupam as esferas jurídica e financeira.
Mais do que nunca, as empresas precisam voltar as atenções para os impactos do Burnout e agir preventivamente.
Confira, a partir de agora, as principais iniciativas para evitar e reverter o Burnout na sua empresa:
Combater cargas horárias excessivas
Imagine a seguinte situação: é mais um dia de trabalho e você está cumprindo sua carga horária normalmente. De repente, o gestor se aproxima da equipe com o semblante “fechado”.
Em seguida, ele convida os presentes a uma reunião emergencial. Durante o encontro, explica que determinado cliente está possesso com o atraso de algumas entregas.
Resultado: parte do time de colaboradores terá de fazer horas extras para cumprir o deadline combinado com o tal cliente.
Em ambientes corporativos, ocorrências assim são inevitáveis. O problema é quando elas passam a ser um padrão.
As lideranças das organizações devem, cada vez mais, concentrar esforços para promover equilíbrio e bem-estar nas companhias.
Afinal, submeter os colaboradores a uma carga horária de trabalho muito puxada ou lhes propor comprar as férias, por exemplo, são ações que devem ser evitadas (o ideal é que sejam abolidas das empresas).
A política de home office é uma boa pedida para equilibrar a vida profissional e pessoal dos colaboradores. Oferecer horários flexíveis também é uma alternativa poderosa nesse sentido.
Otimizar a jornada de trabalho
A maioria de nós dedica mais tempo ao trabalho do que à vida particular, não é mesmo?
Para piorar, durante o expediente, costumamos acessar a Internet e mexer no celular para resolver assuntos extraprofissionais, o que geralmente aumenta nossa carga horária de trabalho.
O ideal é separar uma parte do dia para verificar as notificações do smartphone e navegar pela web. Do contrário, acaba havendo uma dispersão, o que reflete em mais horas trabalhadas.
Automatizar processos repetitivos é outra forma de aproveitar melhor o expediente profissional e poupar os colaboradores de tarefas que os levam à exaustão.
Criar uma cultura organizacional humanizada
Para que os colaboradores da sua marca se sintam confortáveis e motivados no trabalho, é preciso investir em uma cultura organizacional que valorize as conquistas individuais dos membros do time.
Além do mais, é fundamental incentivar o bem-estar do staff por meio de ações efetivas que, aos poucos, devem ser parte fundamental da cultura organizacional.
Algumas dessas medidas podem ser:
- Oferecer day off no aniversário dos colaboradores;
- Promover happy hour;
- Estimular a prática de atividade física dentro ou fora da companhia. Por mais que essa estratégia possa parecer contraproducente, os efeitos dos exercícios físicos estimulam a produtividade nas corporações. Isso porque essas práticas reduzem os níveis de estresse, intensificam a atividade cerebral, aumentam a autoconfiança e melhoram a memória;
- Viabilizar períodos de relaxamento. Para evitar os efeitos da síndrome de Burnout nas empresas, é preciso fazer o caminho inverso praticamente. Isto é, não deixar que os compromissos profissionais anulem a agenda pessoal. Assim, é possível se dedicar ao lazer, ao esporte e a práticas que beneficiem o físico, psicológico e emocional;
- Incentivar o bom convívio entre os membros da equipe. Essa iniciativa é essencial para a consolidação de um ambiente de trabalho agradável. E promover gincanas, festas e vivências extraprofissionais contribui para isso.
Melhorar continuamente as condições de trabalho
Dentro de uma empresa, as lideranças devem estar sempre atentas às condições de trabalho da equipe. Isso abrange desde a infraestrutura oferecida até o clima organizacional.
E não basta observar as condições de trabalho, e sim oferecer melhorias constantes que evitem o extremo desgaste físico e emocional dos colaboradores.
É importante investir na segurança do trabalho, de forma a diminuir os riscos de saúde do staff e apostar em uma boa comunicação entre o time, a fim de que cada um possa se sentir à vontade para falar de suas insatisfações e expectativas.
Com relação a feedback, é fundamental não só apontar críticas ou tecer comentários negativos sobre os colaboradores, mas estimulá-los a cada vitória alcançada. Reconhecimento é tudo.
Na sua empresa, já houve casos de Burnout? Como você lidou com a situação? Esperamos que o conteúdo abordado neste guia traga um olhar mais lúcido e otimista sobre o assunto.
Como vimos, a síndrome de Burnout afeta diretamente a produtividade nas empresas. Por isso, convidamos você a ler um artigo exclusivo sobre como gerir melhor o tempo na sua companhia. Até breve!