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Além das planilhas: modelagem financeira como instrumento de Gestão

Finanças

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Qual será o desempenho econômico futuro da sua empresa? Você sabe o valuation do seu negócio? E o break even point? Com a aplicação da modelagem financeira, é possível responder a essas perguntas e a muitas outras.

Neste guia, iremos abordar o conceito da modelagem financeira e como ela pode ajudar tanto na previsão do desempenho financeiro futuro da empresa como no gerenciamento de riscos e no planejamento orçamentário.

Mostraremos também práticas para criar modelos financeiros sólidos. Acompanhe a leitura e fique por dentro dos principais pontos da modelagem financeira!

O que é modelagem financeira?

A modelagem financeira diz respeito a um sistema de análises, geralmente usado por empreendedores e analistas financeiros, cujo objetivo é mapear a realidade e o risco de uma empresa a longo prazo.

Por meio dessa ferramenta, é possível esquematizar a realidade de um empreendimento, um ativo financeiro e até mesmo do mercado.

Na prática, a modelagem financeira deve representar a situação financeira atual da empresa e compará-la, de preferência, a mais de um cenário hipotético futuro.

Dessa forma, fica mais fácil atrair capital de investidores, prever o desempenho financeiro de uma organização no futuro, bem como instruir empresários e investidores para que tomem sempre as melhores decisões.

A modelagem financeira contribui, portanto, com tomadas de decisões mais acertadas antes de investir em um novo produto ou abrir uma filial, por exemplo.

Das aplicações da modelagem financeira, destacamos:

  • Apurar a possibilidade de lucro futuro, o que irá embasar as tomadas de atitude;
  • Calcular o valuation da empresa;
  • Elaborar o orçamento anual da companhia;
  • Encontrar o break even point do negócio;
  • Estimar a margem de contribuição de um produto. 

Em tempos de Mundo BANI, caracterizado pela total imprevisibilidade do tempo futuro, será que a modelagem financeira consegue gerar efeitos satisfatórios? A resposta é sim!

Afinal, por meio desse sistema, podem ser traçadas diferentes possibilidades financeiras com base em variáveis diferentes tanto internas quanto externas à empresa.

Qual a importância da modelagem financeira?

Sem utilizar ferramentas financeiras eficientes, como a modelagem financeira, fica difícil garantir bons resultados em uma empresa. 

Isso porque, com esses recursos, os gestores tomam as melhores decisões a partir de dados reais, evitando colocar o patrimônio da empresa em perigo.

Outro benefício trazido pela aplicação da modelagem financeira refere-se a criar bons argumentos para atrair investidores para o negócio.

Aqui vale a pena mostrar a esses potenciais investidores os impactos de seus investimentos no negócio e o retorno que eles teriam a partir desse aporte financeiro.

Outras vantagens proporcionadas pela modelagem financeira são:

  • Analisar o funcionamento da empresa;
  • Gerenciar riscos, avaliando criteriosamente o que deve e o que não deve ser feito;
  • Entender se determinada estratégia ou se algum investimento irão se manter a médio e longo prazo; 
  • Definir se uma mudança irá beneficiar verdadeiramente a empresa;
  • Gerir a alocação de capital;
  • Precificar corretamente as ações da empresa caso ela abra capital na Bolsa de Valores;
  • Saber qual é o melhor caminho para promover a expansão da empresa (abertura de novas lojas, investimentos em outros nichos e/ou regiões, fusões etc.);
  • Fazer o benchmarking.

Como criar um modelo financeiro sólido?

Para construir uma modelagem financeira, é necessário, o quanto antes, definir as ferramentas e os dados a serem utilizados e os objetivos que devem ser alcançados.

O passo a passo básico para a criação de um modelo financeiro eficiente é o seguinte:

1 – Escolha da ferramenta

As planilhas do Excel costumam ser muito utilizadas para criar a modelagem financeira, mas hoje há no mercado uma gama de opções de softwares especializados que substituem o Excel. 

2 – Determinação do objetivo

Se você leu o guia até aqui, provavelmente percebeu que a modelagem financeira pode ser aplicada para atingir diferentes objetivos.

Então, é preciso estabelecer o objetivo principal que se deseja alcançar e, então, consolidar as estratégias pertinentes a essa pretensão.

3 – Apuração de dados

Escolhida a ferramenta para criação da modelagem financeira e determinado o objetivo central de utilizá-la, chega a hora de apurar, juntamente com os dados da própria empresa, os indicadores econômicos externos.

Exemplos desses indicadores: 

  • PIB (que permite avaliar a evolução da riqueza de determinada região); 
  • IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo);
  • IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado); 
  • INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor);
  • Selic.

Com relação aos dados da empresa, é essencial avaliar estes três relatórios demonstrativos:

  • Balanço Patrimonial;
  • Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE);
  • Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC).

Com as informações trazidas por esses relatórios, consegue-se analisar o aumento da receita, todo o percurso percorrido pelo dinheiro na empresa e também os custos empresariais.

Feito isso, é necessário levar em conta as variáveis externas, como inflação e concorrência, e definir quais serão os parâmetros que irão nortear a projeção das demonstrações financeiras.

O ideal é começar pelo DRE, de modo que a projeção seja iniciada com a previsão de receitas e despesas (impostos, despesas administrativas, etc.).

Em seguida, deve vir o Balanço Patrimonial, que registra todos os bens e todas as obrigações de uma organização em determinado período.

O Balanço Patrimonial mostra ainda como os ativos da empresa estão sendo aplicados e quais são as fontes de renda da companhia.

É importante destacar que as variações do Balanço Patrimonial são conduzidas por informações obtidas do DRE (impostos, dados do estoque e de recursos humanos). Daí a importância de usar modelagem financeira que integre esses relatórios.

Para fechar, deve-se fazer a projeção do DFC, que também precisa estar integrado aos dois relatórios anteriores.

Na projeção do DFC, é imprescindível levar em consideração atividades operacionais, além de atividades de financiamento e de investimento.

4 – Criação de cenários

Apurando os dados empresariais e os do mercado, é importante testá-los nos mais diversos cenários possíveis, a fim de encontrar os melhores caminhos a seguir com as estratégias da companhia.

5 – Implementação

Com os cenários mapeados, o analista financeiro ou o gestor da empresa pode tomar decisões empresariais com mais segurança.

Como a modelagem financeira auxilia na análise de cenários?

Apenas acompanhar a situação financeira da empresa não é suficiente para garantir a sustentabilidade do negócio.

Antecipar-se a diferentes cenários a fim de se planejar e reagir antes que a companhia entre em colapso é fundamental. E isso é possível graças à modelagem financeira.

Levar em conta cenários que podem impactar — positiva e negativamente — o planejamento da empresa é imprescindível.

E a modelagem financeira, por meio de projeção de receitas, custos, despesas e capital de giro, traz um entendimento do que vem pela frente para a companhia.

Ao comprimir essas informações em cenários diferentes, modelando-as, fica mais fácil prever o que pode acontecer com sua empresa e se preparar para isso, evitando grandes prejuízos.

Mensurando informações financeiras e de outros setores, consegue-se acompanhar o progresso da organização e corrigir falhas.

Analisando dados passados e comparando-os com possíveis cenários futuros, é possível alcançar maior competitividade no mercado.

E a avaliação de investimentos, como a modelagem financeira ajuda?

A modelagem financeira é muito utilizada para avaliar tanto a viabilidade quanto o potencial retorno de investimentos.

Por meio dela, os investidores podem avaliar diferentes projetos da empresa e estimar sua rentabilidade potencial, considerando fatores como:

  • Valor Presente Líquido (VPL), que é uma fórmula utilizada para definir o valor aproximado de pagamentos futuros excluindo a taxa de custo de capital;
  • Fluxo de caixa;
  • Payback do investimento, que é um indicador usado para estimar em quanto tempo é possível recuperar o dinheiro aplicado em determinado investimento;
  • Taxa Interna de Retorno (TIR), que é usada por investidor ou empresa para avaliar se vale a pena investir em algum ativo ou projeto.

Como a modelagem financeira impacta o planejamento orçamentário?

Com a utilização da modelagem financeira, é possível criar também um planejamento orçamentário mais eficaz.

Isso porque, como já pudemos perceber até aqui, um dos principais propósitos da modelagem financeira é justamente prever o desempenho financeiro de uma empresa no longo prazo.

Esse processo envolve, dentre outras ações, estimar receitas e despesas e alocar corretamente os recursos financeiros para alcançar metas estratégicas do negócio.

Além disso, o planejamento financeiro deve se basear na performance econômica da empresa em períodos passados e nas expectativas para o futuro, o que exige:

  • Preparação de declaração de renda;
  • Balancete;
  • Análise do fluxo de caixa.

Então, devemos ter sempre em mente que a modelagem financeira deve abordar a atual conjuntura do negócio e compará-la, no mínimo, a outros dois cenários hipotéticos de longo prazo.

Esse comparativo certamente irá contribuir, e muito, com a formulação de um planejamento orçamentário de qualidade e eficiente.

Gerenciamento de riscos e modelagem financeira: qual é a relação?

Ao simular cenários hipotéticos para a empresa, gestores e analistas financeiros passam a ter um entendimento mais profundo dos riscos a que o empreendimento está sujeito, evitando, assim, colocá-lo em situações perigosas.

Já dissemos aqui, mas não custa relembrar, que um dos propósitos primordiais da modelagem financeira é gerenciar riscos.

Ao fazer esse gerenciamento, lideranças conseguem tomar decisões mais acertadas e, consequentemente, alavancar os resultados da empresa.

5 práticas para criação e uso de modelos financeiros eficazes

Para que a modelagem financeira traga resultados efetivos para a empresa, é fundamental se atentar a algumas práticas. As principais delas, mostraremos logo abaixo:

Estabeleça (e cumpra) o objetivo do modelo

O primeiro passo para fazer a modelagem financeira funcionar na empresa é criando um layout bem estruturado contendo os resultados financeiros esperados para o futuro.

Além disso, estabelecer prazos para que as partes envolvidas discutam e avaliem essa programação minimiza gargalos e garante projeções mais precisas e confiáveis.

Defina qual será a vida útil da modelagem

Aqui a pergunta que deve ser feita é: qual o objetivo da previsão elaborada com o suporte da modelagem financeira?

Se a modelagem tiver uma duração maior, é preciso que ela aborde detalhes operacionais mais aprofundados.

Nesse caso, analistas financeiros e gestores têm de avaliar o quanto a modelagem é sustentável e adaptável às mudanças empresariais que podem ocorrer no período em questão.

Com relação à modelagem de curto prazo, utilizar estruturas pré-fabricadas é uma boa pedida.

Isso porque elas trazem mais agilidade à elaboração do modelo e mais precisão às projeções.

Porém, como tudo tem seus prós e contras, elas precisam ser revisadas com frequência, uma vez que ficam defasadas rapidamente.

Capriche na criação de cenários

Ao criar cenários hipotéticos para projetar o futuro da empresa — considerando seu desempenho e os riscos que ela corre — é importante dar a devida atenção às seguintes questões:

  • Preços praticados no mercado, seja de produtos ou serviços;
  • Quais são os números da empresa (clientes, volume de produtos e serviços);
  • Custos fixos;
  • Custos variáveis;
  • Estimativas sobre a macroeconomia (crescimento do PIB, inflação, taxas de juros etc.).

Descomplique os cálculos da modelagem

Assim como um texto com parágrafos mais curtos é mais fácil de ler, simplificar fórmulas complexas, transformando-as em etapas menores, descomplica o trabalho de quem for lidar com a modelagem.

Isso pode gerar planilhas maiores e com mais linhas, porém o custo-benefício será maior, porque certamente irá facilitar a interpretação e a auditoria realizadas por terceiros.

Elabore um checklist para verificação de erros

Ficar revisando a modelagem financeira sem seguir critérios demanda tempo e pode confundir a cabeça de quem estiver procurando erros nas projeções.

Para se livrar dessa situação, o ideal é enumerar pontos de atenção em uma guia e focar neles. Alguns desses pontos podem ser:

  • Quais são os princípios mais próximos da realidade referentes a projeções das diferentes áreas da empresa;
  • Verificar se a performance dos times tem acompanhado os investimentos feitos na empresa;
  • Integrar todas as contas das diferentes áreas da empresa;
  • Enumerar as receitas e despesas de cada setor.

Conclusão

A modelagem financeira permite construir diferentes cenários de receita para garantir a sustentabilidade da empresa e potencializar continuamente seu faturamento.

O uso dessa ferramenta também possibilita à companhia agir com precaução, evitando prejuízos decorrentes de gaps que surgirem e, por outro lado, traz a ela possibilidades de expansão.

Para complementar a aplicação da modelagem financeira na sua empresa, o que acha de ler um guia aprofundado sobre planejamento financeiro empresarial? Faça um bom proveito da leitura, amigo leitor. Até breve.

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