Imagine que você tenha juntado um dinheiro e queira empreender, mas não saiba por onde começar. Bom, criar um modelo de negócio pode tirá-lo desse impasse.
Isso porque, quando se deseja abrir uma empresa ou desenvolver um projeto, não basta ter uma boa ideia em mente; é preciso registrá-la e entender como, na prática, ela vai gerar e entregar valor aos clientes.
E é aí que entra a importância do modelo de negócio.
Mas, afinal, o que é modelo de negócio? Qual é a finalidade dessa ferramenta? Como elaborar um modelo de negócio? Quais erros não cometer ao criá-lo?
Quer ficar por dentro de tudo isso e ainda conhecer o modelo de negócio de marcas superfamosas?
Então, caro leitor, acompanhe a leitura! Na certa, ela vai ajudar sua marca a obter muitos ganhos.
O que é modelo de negócio?
Modelo de negócio é um documento prático, simples e visual que permite registrar no papel (ou em uma ferramenta on-line) a proposta de criação de um negócio ou um projeto, mostrando como gerar e entregar valor ao público da marca.
O Canvas é o método mais divulgado e utilizado mundo afora para elaborar um modelo de negócio.
Essa metodologia foi criada pelo escritor, pesquisador e empreendedor suíço, Alex Osterwalder, e pelo cientista da computação e professor de sistemas de informações gerenciais, o belga Yves Pigneu.
O Business Model Canvas (Modelo de Negócio Canvas) é aplicado por meio de um quadro que deve conter os nove tópicos apresentados abaixo:
| Segmento de mercado — aqui é importante responder a perguntas, como: “com quem nossa empresa quer se conectar e para que público ela cria valor?”. Caso seu negócio seja voltado para PJ, seu modelo de negócio será o B2B (Business to Business). | Proposta de valor — quais dores dos clientes sua empresa irá resolver e “quão valiosas são as experiências que serão proporcionadas ao público consumidor? |
| Canais de distribuição — quais serão os caminhos percorridos pelos nossos produtos desde os fabricantes até as mãos dos clientes finais? É preciso escolher os canais de distribuição com melhores resultados tanto para os clientes quanto para a empresa. | Relacionamento com os clientes — como será estabelecida a relação da marca com o público consumidor: por meio de atendentes humanos, autosserviço etc.? Além disso, os produtos e serviços que sua marca irá oferecer despertam o senso de fidelidade nos consumidores? |
| Parcerias — quem são nossos parceiros-chave e que atividades eles desempenham? Essas parcerias são imprescindíveis para desenvolver e entregar os produtos e serviços aos clientes. | Atividades-chave — quais atividades nosso time deve desempenhar para que a empresa funcione com o máximo potencial?Neste tópico é preciso levar em conta ações de diferentes áreas (marketing, finanças etc.). |
| Recursos-chave — para que o negócio opere com o máximo aproveitamento, quais recursos devem ser adquiridos? Aqui devemos levar em conta os insumos necessários para a produção das mercadorias e/ou desenvolvimento dos serviços. | Estrutura de custos — quais são os principais custos do negócio, levando em conta os recursos-chave e as atividades-chave que mantêm a empresa funcionando? |
| Fontes de receita — os (potenciais) clientes estão dispostos a pagar quanto pelos nossos produtos e como os pagamentos serão feitos? Quais meios de pagamento podem ser utilizados na empresa para monetizar cada vez mais o negócio? |
Uma vez desenvolvidos os tópicos propostos na tabela, é possível ter um melhor direcionamento das tarefas que vão fazer parte da rotina da organização.
Agora que já sabemos o que é modelo de negócio, no próximo tópico, vamos mostrar as principais finalidades de fazer um modelo de negócio. Acompanhe, amigo leitor!
Por que fazer um modelo de negócio para a sua marca?
Ao desenvolver os tópicos do modelo de negócio, o gestor consegue ter uma visão bem ampla do caminho que a empresa deve tomar e isso facilita a implementação de ações que poderão melhorar a performance da companhia.
Dessa maneira, fica mais fácil entregar valor ao público-alvo da empresa.
É importante lembrar que, à medida que o modelo de negócio for sendo validado — com base nos retornos do mercado e consequentes ajustes para aprimorá-lo — deve-se partir para o plano de negócio (mas isso é pauta para outro artigo!).
Outras boas possibilidades que o modelo de negócio traz para a empresa são:
- Conquistar cada vez mais clientes;
- Aprimorar a proposta de valor da marca e, com isso, manter-se em posição de vantagem diante da concorrência;
- Aproveitar das possibilidades da transformação digital para aumentar o brand equity da empresa;
- Reduzir custos;
- Aumentar a receita.
Além disso, o modelo de negócio ajuda empreendedores principiantes que se sentem inseguros para as tomadas de decisão a nortear as ações do negócio de forma que ele seja bem-sucedido.
O modelo de negócio permite ainda que o time da empresa, os sócios e até possíveis investidores entendam, de maneira bem visual e objetiva, o funcionamento do negócio.
Isso tendo em vista que o modelo de negócio representa um mapa da companhia, mostrando como funcionam os fluxos de cada elemento destacado ali.
Mais um ponto positivo do modelo de negócio é que ele é um documento simples tanto de criar quanto de implementar.
Basicamente, para fazê-lo, você vai precisar primeiramente de boas ideias, claro, além de uma folha de papel, uma caneta e post-its.
Outra opção é usar ferramentas disponíveis na internet exclusivamente para fazer o modelo de negócio. O Sebrae Canvas é uma boa alternativa.
Como elaborar um modelo de negócio? Siga o passo a passo!
Com base no Business Model Canvas, já apresentado aqui, antes de fazer o modelo de negócio para a sua empresa, é importante apurar as seguintes informações:
- Que ações você irá desenvolver à frente da sua empresa para criar e oferecer proposta de valor aos consumidores?
- Que estratégias serão utilizadas para abordar o público-alvo da marca?
- Quais recursos, parceiros e atividades estão disponíveis para promover o funcionamento efetivo da companhia?
- Quais serão os gastos para tirar a ideia do papel e viabilizá-la?
Com essa apuração em mãos, é hora de montar o seu modelo de negócio.
Para isso, você vai precisar criar uma tabela com cinco colunas (lembrando que existem ferramentas on-line que oferecem esse quadro pronto, bastando você inserir ali os dados do seu negócio).
Mas, se preferir, você pode fazer essa tabela à mão mesmo. Essa escolha irá, inclusive, ajudá-lo a organizar melhor as suas ideias.
Confira abaixo o que você deve inserir em cada coluna da sua tabela:
- Na primeira e segunda, defina quais serão os recursos, as suas parcerias e atividades;
- Na terceira coluna, estabeleça qual será a proposta de valor da companhia;
- Na quarta e quinta, explique como será o relacionamento com os clientes, quais canais de distribuição serão utilizados e quais segmentos do mercado serão atingidos pela marca;
- Na parte inferior da tabela, acrescente mais uma linha, a fim de inserir a estrutura de custos do negócio bem como a fonte de receita.
Feito isso, siga o passo a passo abaixo para ter um modelo de negócio eficiente e único.
Defina a ideia da sua empresa
Na coluna da proposta de valor, explique as ações que irá desenvolver à frente do negócio e qual valor agregado irá oferecer aos clientes.
Ainda que você não tenha a ideia do seu negócio bem definida, escreva, na coluna em questão, a hipótese para visualizá-la e aperfeiçoá-la.
Aqui é importante lembrar que, em vez de escrever diretamente no quadro, devemos usar post-its, pois isso permite que ajustes sejam feitos a qualquer momento.
Leitura recomendada: Golden Circle: o cérebro humano e a criação de valor de marca.
Determine quem é o seu público-alvo
Na coluna que abrange o relacionamento com os clientes, os canais de distribuição e os segmentos de mercado onde a empresa irá atuar, descreva, ao lado desses tópicos, para que público-alvo você está desenvolvendo as ações apresentadas.
Descreva as atividades da sua empresa
Mais importante do que citar as atividades que serão desenvolvidas na sua empresa é detalhar cada uma delas, deixando bem claro como elas serão feitas.
Essas informações devem estar na primeira e segunda colunas do seu modelo de negócio, onde estarão descritos os recursos, parceiros e as atividades da empresa.
Apure quanto você vai gastar e ganhar com o negócio
Para fechar o seu modelo de negócio, na linha inferior da tabela, você deve informar a estrutura de custos da empresa e mostrar a fonte de receita.
Neste momento é interessante contar com uma projeção financeira, para que o potencial de rendimento esteja o mais próximo possível da realidade.
Quais erros não cometer ao criar um modelo de negócio?
A partir de agora iremos apresentar alguns erros que costumam ser cometidos durante a elaboração do modelo de negócio. Não caia neles!
Ter excesso de otimismo com a empresa
Pensamento positivo é sempre bom, mas, quando o assunto é empreendimento, excesso de otimismo pode ser perigoso, porque afasta o empreendedor da realidade.
Gestores devem sempre investir em projeções que levem em conta dados reais do mercado.
Nesse sentido, uma medida a ser tomada é quantificar os recursos de sobrevivência disponíveis para que seja possível manter a empresa operante por, no mínimo, seis meses após sua abertura.
Desconsiderar a concorrência
É muito importante aprender com a concorrência — tanto a não cair nos mesmos erros que ela quanto a se inspirar em seus acertos.
Por meio do benchmarking, é possível conhecer melhor os processos inerentes ao nicho de atuação, o perfil dos consumidores, além de produtos e serviços com boa aceitação no mercado etc.
Esse conhecimento servirá de base para a criação do modelo de negócio da sua empresa, pode apostar!
Negligenciar os riscos do negócio
Quando o assunto é empreender, ter os pés no chão é imprescindível, pois, só agindo assim, você consegue prever o que pode dar errado na sua empresa.
Abrir uma empresa perto de uma concorrente já sólida no mercado pode representar um risco. Baixo capital para gastos de emergência, também. Desconhecimento do ramo em que se pretende atuar, idem.
Leitura recomendada: O que é análise de risco e como fazer na sua empresa.
Conheça 3 modelos de negócio inspiradores
Antes de concluir o modelo de negócio da sua empresa, vale a pena se inspirar em estratégias de empresas que são um verdadeiro exemplo de modelo de negócio e que se tornaram players de mercado.
Então, acompanhe a leitura deste tópico até o fim, amigo leitor.
Airbnb
O Airbnb é uma plataforma de aluguel de imóveis (ou cômodos) por temporada que possibilita a pessoas físicas anunciar suas acomodações em todas as partes do mundo e fazer as negociações de forma 100% on-line.
O modelo de negócio do Airbnb fez com que a plataforma se tornasse a maior provedora de hospedagens do mundo, sem contar com quartos de redes hoteleiras.
Enquanto intermediário de hospedagens, a receita do Airbnb vem principalmente a partir da taxa cobrada a cada aluguel fechado.
Nubank
O Nubank é a startup brasileira que mais impactou o mercado financeiro nacional ultimamente. Sem contar com agências físicas, a fintech começou oferecendo cartão de crédito gratuito, sem anuidade, quando isso era raro no mercado.
Depois, liberou aos seus clientes a conta corrente, com rendimento diário acima do rendimento da poupança e, agora, já tem até uma plataforma própria de investimentos.
O modelo de negócio do Nubank, desde o início, mostrou-se disruptivo, pois explorava as novas maneiras de as pessoas lidarem com o dinheiro.
Antes do PIX existir, o Nubank já permitia que seus clientes fizessem transferências instantâneas entre si, o que atraiu muitos clientes para o banco.
Com esse histórico, você deve estar se perguntando: “mas de onde vem a receita do Nubank?”.
Bom, a principal fonte de renda da startup é uma taxa denominada “interchange“, que é gerada toda vez que o usuário faz uma compra com o cartão Nubank.
iFood
O iFood revolucionou a forma como pedimos delivery de alimentação e logo se tornou o principal canal de conexão entre restaurantes, entregadores e consumidores no Brasil.
O modelo de negócio do iFood inicialmente fazia apenas delivery de refeição, tornando-se rapidamente a maior praça de alimentação on-line da América Latina.
Atualmente, os usuários podem contar ainda com pedidos feitos em mercados, farmácias, shoppings e pet shops.
A monetização do iFood vem da comissão que os restaurantes cadastrados pagam à plataforma a cada pedido realizado.
Bom, depois de apresentar essas três inspirações a você, amigo leitor, vamos nos despedindo.
Um desdobramento do tema principal deste guia — o modelo de negócio — é o brand equity, que até foi mencionado neste conteúdo. Para aprofundar o conhecimento sobre o assunto, leia: Brand Equity: como aumentar o valor percebido de um produto. Até a próxima!