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Mundo VUCA e BANI: o que são? Quais suas diferenças?

Gestão

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Se, a princípio, Mundo VUCA e Mundo BANI possam parecer expressões de desenho animado, saiba que, na verdade, elas estão relacionadas ao contexto corporativo.

A ideia do Mundo VUCA foi criada durante o pós-Guerra Fria para esclarecer a nova lógica mundial que estava surgindo, lógica essa marcada por instabilidade social, transformações econômicas e urgências tecnológicas.

Já o conceito de Mundo BANI é reforçado pela pandemia de Covid-19, que nos impõe, dia após dia, lidar com a total imprevisibilidade do tempo futuro.

Quer ficar inteirado da definição desses dois mundos, que impactam diretamente as atividades empresariais? Então, cole na gente, amigo leitor!

Desbravando o Mundo VUCA

Antes de mais nada, é importante deixar claro que o “VUCA” do “Mundo VUCA” é uma abreviação de Volatility (Volatilidade), Uncertainty (Incerteza), Complexity (Complexidade) e Ambiguity (Ambiguidade).

Vamos entender essas quatro características que formam o sentido do Mundo VUCA?

Volatilidade

Diz respeito à velocidade das mudanças do mundo — e, como consequência, dos mercados. Por conta disso, fica difícil antecipar-se a situações, o que era possível ser feito no passado.

Diante disso, segundo o Mundo VUCA, é preciso se preparar para lidar com o inesperado, e não investir tanto tempo nem tanto dinheiro em planejamentos muito minuciosos.

Como os caminhos para alcançar os objetivos organizacionais podem mudar a todo momento, é importante ter bastante clareza dos propósitos da empresa e dos resultados esperados.

Por fim, podemos associar essa volatilidade com as oscilações de demandas, agitação nos mercados e pouquíssimo tempo para adaptação.

Incerteza

Está cada vez mais difícil compreender o futuro, porque no presente já somos surpreendidos a todo momento por circunstâncias inesperadas.

“Disrupção” é a palavra de ordem do Mundo VUCA e ela sinaliza (e exige) novos padrões. Nesse sentido, soluções que usamos hoje rapidamente se tornam obsoletas.

Nas empresas, a falta de linearidade dos acontecimentos dificulta a previsão do futuro corporativo.

Então, não basta estar atento aos dados do momento presente; é preciso entender as tendências implícitas nessas informações. Isso acaba dando certa segurança a empreendedores e gestores.

Complexidade 

Aqui devemos pensar que, em cada ação que tivermos, conforme as diretrizes do Mundo VUCA, há muitas variáveis envolvidas.

Uma situação cotidiana pode ilustrar essa complexidade. Ao comprar um suco de uva natural na feira, estaremos conectados ao trabalho do agricultor, do vendedor, da pessoa que opera na logística.

Essa conexão é uma amostra do quanto uma única situação pode gerar muitos desdobramentos e, consequentemente, diferentes possibilidades de respostas.

Na realidade corporativa, isso quer dizer que fatores internos e externos podem impactar o negócio.

E alguns desses elementos podem fugir do controle de gestores e líderes, o que prejudica a tomada de decisão e a análise de riscos.

Nesse sentido, fica difícil prever resultados de iniciativas isoladas, porque elas fazem parte de um sistema complexo.

Assim como acontece com o nosso corpo, é simplista demais avaliar um órgão isoladamente, sendo que ele faz parte de um conjunto de elementos interligados.

Ambiguidade

Uma vez exposta aos fatores anteriores, a empresa fica sujeita à ambiguidade. Eis mais uma característica do Mundo VUCA.

Você se lembra das aulas de português, em que a professora falava que seu texto estava muito ambíguo? Pois é! Essa ambiguidade vem assombrar o universo corporativo também.

Diante de eventos muito complexos, há uma dificuldade de chegar a conclusões e tomar atitude.

Como dissemos anteriormente, a disrupção faz parte do Mundo VUCA e os efeitos de transformações disruptivas não podem ser analisados com base em históricos de vivências anteriores, pois o cenário está sempre mudando.

E essa “metamorfose ambulante” abre brechas para a ambiguidade, ou seja, para múltiplas interpretações de uma mesma ocorrência.

Em que contexto surgiu o conceito do Mundo VUCA?

Como mencionamos no início deste guia, o conceito do Mundo VUCA surgiu no pós-Guerra Fria, em 1990, em uma tentativa de esclarecer a nova ordem mundial que estava se estabelecendo.

A ideia foi desenvolvida a princípio por militares norte-americanos com o objetivo de retratar as transformações sociais em andamento e, principalmente, nortear a conduta do exército para lidar com eventuais conflitos.

E quais são as características mais preponderantes do Mundo VUCA?

Instabilidade global, rápidas mudanças socioeconômicas, alta demanda por novas tecnologias e, obviamente, a compreensão de que a sociedade estava dominada pela Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.

O conceito do Mundo VUCA, ao longo do tempo, vem sendo utilizado para representar transformações culturais, tecnológicas e o impacto dessas mudanças na rotina das pessoas e das empresas.

No contexto corporativo, a popularização da ideia do Mundo VUCA aconteceu a partir dos anos 2000, quando o universo digital passou a marcar mais presença nas empresas.

Você pode se perguntar por que o conceito do Mundo VUCA é utilizado também nas empresas.

Bom, assim como em um cenário de guerra, há sempre muitas batalhas a serem vencidas: baixa produtividade, período apertado para entregar um produto ao cliente, animosidade entre membros da equipe, etc.

Uma das principais mensagens que podemos extrair do conceito do Mundo VUCA é de que o ideal não é arquitetar cenários para o longo prazo, e sim preparar a equipe para dar respostas ágeis às necessidades do momento.

Agora que já desbravamos o Mundo VUCA, é hora de mergulharmos no Mundo BANI.

Mergulhando no Mundo BANI

O conceito do Mundo BANI foi criado em 2018 pelo antropólogo norte-americano, Jamais Cascio.

Cascio, considerado um autor furista, observou que a concepção do Mundo VUCA já não fazia tanto sentido diante de uma realidade tão acelerada quanto a nossa.

E a pandemia da Covid-19 impulsionou as ideias defendidas no conceito do Mundo BANI.

Segundo esse conceito, nosso cotidiano não é apenas instável; ele é caótico. Por conta disso, os resultados esperados das ações praticadas não são difíceis de prever, e sim totalmente imprevisíveis.

Além disso, se antes a ambiguidade estava presente nas circunstâncias, agora a realidade que nos rodeia é completamente incompreensível.

Como consequência disso, formou-se um novo conceito de mundo, o BANI. Caso haja alguma confusão entre Mundo VUCA e BANI, ela será resolvida nas próximas linhas.

Se até então, o mundo era Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo, agora ele é Brittle (Frágil), Anxious (Ansioso), Nonlinear (Não linear) e Incomprehensible (Incompreensível).

Juntando as iniciais desses termos (em inglês), temos a sigla BANI.

Vamos entrar de cabeça nas características que compõem esse novo mundo?

Frágil

A pandemia da Covid-19 mostrou que um vírus — microscópico e invisível — é capaz de fazer estrago entre nós, humanos. Nossa fragilidade nunca esteve tão evidente.

Se costumávamos acumular certezas até bem recentemente, essas convicções, aos poucos, vão caindo por terra.

Afinal, atitudes que dão certo hoje podem fracassar amanhã. De um dia para o outro, tudo muda.

Uma das premissas do Mundo BANI é a de que devemos nos manter preparados para lidar com a imprevisibilidade e com a catástrofe. Então, poder contar sempre com um plano B é muito importante.

Ansioso

Diante da necessidade constante de tomadas de atitude, como não ficar ansioso?

O senso de urgência, de repente, passou a conduzir as decisões e ele acaba provocando, não só  ansiedade, mas também sensação de tristeza e angústia.

Além do mais, perante a tragédia sanitária causada pela pandemia, evitamos ler as notícias para nos fechar em um casulo que ilusoriamente traz a sensação de que estamos protegidos.

Nesse “retiro” voluntário, não conseguimos escapar de crises de ansiedade, da depressão e até mesmo da Síndrome de Burnout.

Não linear 

Se planejamentos a longo prazo já não faziam mais sentido no Mundo VUCA, no Mundo BANI então, eles devem ser descartados.

Isso porque vários acontecimentos estão em andamento ao mesmo tempo, o que configura um universo não linear, que nos tira o controle do que está por vir.

É um tanto quanto difícil conseguir perceber várias conexões envolvidas em uma mesma situação e dar conta de processos que se desenrolam à nossa volta.

Os eventos que constituem a nova realidade parecem desproporcionais e desconectados, sem um critério predefinido.

Com essa não linearidade dos tempos modernos, fica praticamente inviável programar ações contínuas para a empresa, definir metas muito complexas e prever com clareza determinados resultados.

Incompreensível

Novamente usaremos a pandemia como referência, pois as mudanças trazidas por ela nos mostraram que perdemos quase completamente o entendimento da realidade.

Além disso, ao acompanhar a enxurrada de informação que circulou (e vem circulando) durante esse período de crise, inclusive dentro das empresas, quantas vezes nos deparamos com dados contraditórios?

E, diante disso, em que informação devemos acreditar? Esse excesso de notícias acaba gerando uma incompreensibilidade.

Para além do cenário pandêmico, a todo momento, estamos buscando respostas para praticamente tudo, mas essa busca é vã diante da consciência de que não temos o controle de tudo.

Quem acompanhou a leitura até aqui, a esta altura, já está por dentro das principais características do Mundo VUCA e BANI.

Para finalizar este post, vamos mostrar como se preparar para o Mundo BANI. Continue por aqui.

Como se preparar para o Mundo BANI

Abaixo, vamos listar as principais ações para você se adaptar ao Mundo BANI. Confira!

Cooperação e resiliência

Para lidar com a fragilidade inerente ao Mundo BANI, é importante estimular atitudes mais humanizadas no ambiente de trabalho.

A cooperação e a resiliência vêm se mostrando como soft skills (habilidades comportamentais para lidarmos com o outro) muito eficientes.

Por meio especialmente da resiliência, é possível não só desenvolver a capacidade de improviso, mas também enfrentar a realidade com uma visão otimista, o que facilita a superação de desafios.

A cooperação, por sua vez, representa um elemento motivacional, no sentido de que contribui para a formação de uma união e, consequentemente, do atingimento de um propósito da empresa.

Em momentos de crise como o da pandemia, a cooperação se mostra ainda mais imprescindível, porque sem ela fica mais difícil vencer as adversidades que aparecem pelo caminho.

Empatia

Estabelecer um ambiente empático no local de trabalho ajuda, e muito, a amenizar a ansiedade típica do Mundo BANI.

E, quando se fala em ambiente empático, é preciso ter em mente a capacidade de compreender o próximo sem fazer julgamentos.

Essa iniciativa abre espaço para diálogos francos entre os membros da equipe e, como consequência, criam-se soluções mais adequadas para o andamento do negócio.

Além da empatia, lançar um olhar para si mesmo também é fundamental. Nesse sentido, apostar em técnicas como o mindfulness, que pode ser entendida como a atenção plena no momento presente, é uma boa opção.

Esse tipo de atitude ajuda a diminuir o estresse, aumentar a energia e facilita as tomadas de atitude, o que beneficia todo o ambiente ao redor.

Flexibilidade

Regras rígidas e padrões preestabelecidos não fazem sentido no Mundo BANI.

O fluxo de trabalho nesse contexto não pode seguir processos muito rígidos, ainda que eles tenham sido bem-sucedidos no passado.

Aqui é oportuno recorrer às metodologias ágeis, que irão constituir um ambiente flexível nas organizações, promover a eficiência nas entregas e, principalmente, transformar as mudanças externas em oportunidades.

Essa adaptação a uma realidade muito dinâmica é um dos pilares do Mundo BANI, pois mostra o quanto somos maleáveis e capazes de fazer com que situações adversas virem algo positivo para o negócio.

É a partir de mudanças, que desafiam a condição até então vigente, que grandes revoluções costumam acontecer. Com elas, padrões são reformulados e, na certa, melhorias são conquistadas.

Transparência

Foi-se o tempo em que as informações da empresa ficavam guardadas a sete chaves na sala do chefe.

Segundo os preceitos do Mundo BANI, quanto mais os colaboradores tiverem entendimento dos andamentos do negócio melhor.

Então, não há razões plausíveis para esconder indicadores e resultados do time, combinado?

Mantendo uma comunicação transparente com o staff, sem dúvida, ele vai se engajar mais na companhia e os clientes sentirão isso nos resultados entregues a eles.

Depois de entender os pontos-chave do Mundo VUCA e BANI, vamos ficando por aqui, amigo leitor.

Para se adaptar ao Mundo VUCA e BANI, é interessante automatizar processos na empresa, garantindo a agilidade da rotina organizacional. Pensando nisso, convidamos você a baixar nosso e-book sobre automação comercial. Boa leitura!

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