Modelo de franquia: como transformar minha empresa em uma

Embora as redes de fast-food talvez representem as franchisings mais conhecidas, existe uma variedade de modelo de franquia. Basta entrar em um shopping center para se deparar com diferentes arquiteturas, nomes, tipos de operações das franquias, além dos produtos e serviços oferecidos por elas. 

Este artigo irá abordar, dentre outros tópicos, os diferentes tipos de franchise. Para isso, é fundamental entender primeiramente o conceito de franquia

Segundo o dicionário Aulete, a palavra, no âmbito econômico, significa “sistema pelo qual uma empresa cede a uma outra, em troca de compensação financeira, o direito de usar seu nome, padrão de funcionamento e identidade visual“. 

O modelo de franquia é dividido em quatro tipos, os quais iremos analisar a seguir. 

Quais são os diferentes tipos de franquia? 

No universo das franquias, elas podem ser classificadas de acordo com: geração, localização geográfica, natureza da atividade e remuneração

Vamos entender cada um desses itens? 

Modelo de franquia segundo a geração

Em se tratando de geração, leva-se em conta o nível de desenvolvimento e de exigência da franquia com relação ao franqueado. 

Atualmente existem no mercado seis gerações de franquias e essa classificação se refere à forma como as diferentes redes operam. 

Primeira geração

Um cenário que pode explicar este estágio evolutivo da franquia é o de uma loja de cosméticos multimarcas. 

Nas prateleiras desse tipo de estabelecimento, é possível encontrar esmaltes que são vendidos tanto em varejos comuns como em franchises

Conclui-se, portanto, que os produtos em questão são comercializados sem exclusividade, podendo ser encontrados na concorrência, inclusive em empresas enquadradas no modelo de franquia. 

Esse sistema de franchising é também chamado de franquia de marca e produto e baseia-se na distribuição de mercadorias e serviços sem exclusividade

Isto é, a relação entre franqueador e franqueado acontece de forma que o primeiro fornece insumos para o segundo e este os revende a terceiros, utilizando a marca do franqueador.   

Segunda geração 

Ela diferencia-se da primeira geração, devido a uma relação de exclusividade mantida entre franqueador e franqueado

Nesse sentido, os produtos comercializados são encontrados pelos consumidores somente em lojas franqueadas

Vale destacar que, ao adquirir produtos ou matérias-primas do franqueador, o franqueado já paga os royalties e as taxas de promoções embutidas. Quiosques de fast-food e de maquiagem geralmente pertencem a este grupo. 

Terceira geração 

O diferencial deste estágio da franquia refere-se à transmissão do know-how, por parte do franqueador ao franqueado, para realizar as operações na empresa conforme um modelo-padrão de comportamento. 

Uma analogia que ilustra essa geração diz respeito a determinada confeiteira que, em vez de compartilhar apenas a receita de seu bolo mais vendido, ensina a outras doceiras o passo a passo do preparo. 

Quarta geração 

Nesta fase evolutiva, há uma maior interação entre franqueado e franqueador. O primeiro opina sobre questões que impactam as tomadas de decisão realizadas pelo franqueador. 

Graças a tecnologias e a uma política de incentivo aos franqueados de se comunicarem com o franqueador sem melindres, a quarta geração de franquias permite maior integração de toda a rede; constante desenvolvimento das franquias e, como consequência, vantagens competitivas em relação a concorrentes. 

Alguns cursos de idiomas estão inseridos neste estágio. 

Quinta Geração 

Neste modelo de franquia, o franqueado tem a garantia de recompra da franquia por parte do franqueador. 

Vale lembrar que, neste estágio de franquia, o franqueador detém o ponto comercial da franchising

Algumas redes de food service e de planos de saúde estão inseridas neste tipo de franchise

Sexta Geração 

Por fim, este estágio de franquias usa as melhores estratégias para aperfeiçoar suas operações

Visando colocar em prática esse conceito atribuído à sexta geração, a palavra de ordem é sustentabilidade

Dessa forma, a consolidação de negócios rentáveis deve acontecer desde que sejam levados em conta seus impactos socioambientais.  

A rede de franchises de perfumes O Boticário é um modelo de franquia da sexta geração, pois possui pontos de coletas das embalagens da marca que, uma vez devolvidas pelos clientes, são encaminhadas a centros de reciclagem. 

Além disso, a cadeia, que possui mais de 3.000 lojas em todo o Brasil, investe em consumo consciente de energia para a fabricação de seus produtos. 

Modelo de franquia segundo a localização geográfica 

A posição geográfica é outro fator que determina diferentes tipos de franchises. Nesse sentido, elas podem ser classificadas em: 

Franquia de desenvolvimento de área

Ao franqueado é dado o direito de abrir mais de uma franquia em determinada região em um intervalo de tempo. 

Nesse modelo de franquia, é firmado um acordo com o franqueador voltado para o desenvolvimento da região e de cada unidade aberta.

Franquia master

este modelo de franquia é utilizado nos projetos de internacionalização de franchising

Países como o Brasil, que possui dimensões continentais, são os alvos principais desse tipo de franchise. Nele, a partir dos royalties cobrados pelo franqueador, é garantido ao franqueado treinamento de equipe e suporte às operações.

Franquia unitária

O franqueador cede ao franqueado o direito de abrir franquias, desde que este apresente bom desempenho com a primeira franquia, possibilidade financeira e plano de expansão.

Franquia múltipla

Nesse modelo de franquia, o franqueado deve apresentar potencial para abrir mais franquias unitárias, podendo, dessa forma, criar sua própria rede regional de franquias.

Franquia regional

Autoriza que o franqueado atue em determinada região. A vantagem desse modelo de franquia é a exclusividade regional, evitando a concorrência entre franqueados da mesma rede. 

Modelo de franquia segundo a natureza da atividade

Dependendo da estrutura das operações de uma franchising, ela pode ser dividida em sete tipos, sobre os quais iremos falar a seguir. 

Microfranquia

Este modelo de franquia exige um investimento inicial considerado baixo (até R$ 90 mil) e operações simples

Além disso, a manutenção tem custo pequeno. Por exemplo, ser um franqueado na área de marketing digital em regime de home office

Shop in shop

Neste modelo de franquia, o empreendedor pode usar seu ponto comercial para incorporar uma franquia. Por exemplo, o proprietário de um restaurante instala um quiosque de sorvete no local de check out.

Franquia industrial

Nela, o franqueador detém a patente do produto, o know-how da produção e o registro da marca

Ele transmite ao franqueado as tecnologias necessárias à fabricação e comercialização da mercadoria. Ele oferece também suporte na manutenção do padrão do que é produzido.

Franquia individual 

Neste modelo de franquia, o franqueado deve comercializar apenas uma marca e funcionar em um local específico para determinado tipo de franchise. Por exemplo, redes de fast-food.

Franquia comercial

Nela, a produção fica a cargo do franqueador, cabendo ao franqueado comercializá-la em local estabelecido em contrato. Por exemplo, um grupo de vestuário.

Franquia de serviço

Neste modelo de franquia, o franqueador transfere para o franqueado o know-how da prestação de serviço e concede a este o direito de usar a marca. Um exemplo desse modelo é uma rede de hotéis.

Franquia combinada

Neste tipo, duas ou mais franquias funcionam em um mesmo ponto comercial

Deve-se levar em conta se os artigos comercializados são complementares e é preciso haver autorização dos franqueadores para outras franquias funcionarem juntas. 

Um exemplo é uma loja de materiais esportivos que concentra diferentes franquias de uma mesma categoria de artigos. 

Modelo de franquia segundo a remuneração 

A remuneração do franqueador estabelece três tipo de franquias: franquia de distribuição, pura e mista

Vamos entender melhor cada uma delas a seguir:

Franquia de distribuição

Na franquia de distribuição, não há royalties nem tarifa inicial. A receita do franqueador é proveniente dos produtos que forem vendidos. Um bom exemplo são lojas de produtos gastronômicos. 

Franquia pura

Já na franquia pura, o franqueador recebe sua receita dos royalties e das taxas pagas pelos franqueados

Nesse modelo de franquia, o franqueador não atua como fornecedor nem obtém lucro do fornecimento de insumos por terceiros. Por exemplo, franchising na área de alimentação. 

Franquia mista

Por último, na franquia mista, que é a mais utilizada hoje em dia, o franqueador arrecada do franqueado taxas de fornecimento de produtos / insumos, royalties e encargos de franchise

Geralmente há uma integração de produtos e serviços. Algumas franquias de restaurantes utilizam esse modelo. 

Uma vez conhecidos os tipos de franquias, é importante analisar que condições são necessárias para um negócio tornar-se franchising

Como transformar sua empresa em uma franquia 

Se observarmos o cenário arquitetônico de uma cidade de porte médio ou grande, iremos perceber uma presença intensa de franquias. 

Isso se explica pela expansão de empreendimentos que, mostrando-se exitosos, despertam, em possíveis franqueados, o interesse de investir.

Nesse sentido, se seu negócio tem apresentado resultados surpreendentes, é possível que você queira expandi-lo.

Essa expansão deve acontecer à imagem e semelhança da matriz. Para que isso ocorra, é necessário levar em consideração os seguintes pontos:  

  • Análise da legitimidade e franqueabilidade da sua empresa, isto é, se ela está de acordo com a lei e se é franqueável; 
  • Pesquisa sobre o potencial da sua empresa de ser bem-sucedida enquanto franchising
  • Preparação do projeto de expansão da sua marca / negócio;
  • Planejamento do processo de criação da franchise – neste caso, recomenda-se abrir um novo CNPJ; 
  • Elaboração dos contratos da franquia;
  • Escolha criteriosa dos franqueados, o que envolve análise do perfil pessoal, profissional, financeiro e comportamental de cada um; 
  • Venda da franchising.

É importante destacar neste momento que, para criar uma franquia, é indispensável entender o que é e como funciona um sistema de franchise e conhecer os aspectos jurídicos desse modelo de negócio, avaliando a Circular de Oferta de Franquia (COF) e o Contrato de Franquia

Quais modelos de negócios podem se tornar franquias 

Para iniciar este tópico, é importante destacar os setores em que sua empresa pode atuar para se tornar uma franchise

  • Alimentação;
  • Construção e arquitetura;
  • Limpeza e manutenção de patrimônio;
  • Informática e eletrônicos em geral;
  • Lazer e entretenimento;
  • Hotelaria e turismo;
  • Moda;
  • Saúde, bem-estar e estética;
  • Serviços em geral. 

Os requisitos fundamentais para o seu empreendimento ser bem-sucedido dentro do modelo de franquia são: 

  • Comerciais: neste caso, a empresa apresenta vantagens de mercado sobre a concorrência; 
  • Operacionais: o principal benefício desses requisitos diz respeito à transmissão do know-how e dos processos operacionais por parte do franqueador;
  • Financeiros: aqui é avaliado o potencial de lucratividade da franchising

Dicas para a sua franquia ser um sucesso

Avaliadas essas condições e a capacidade de franqueabilidade da sua empresa, ao transformá-la de fato em franchise, outras três necessidades, que estão diretamente ligadas aos requisitos apresentados, precisam ser incorporadas ao seu novo modelo de negócio.

São elas: treinamento de equipe; padronização de comportamento e entregas, além de automação

Nesse sentido, no momento em que um empreendedor torna-se um franqueado, ele tem acesso a manuais com padronização de ações e processos necessários ao sucesso da franquia. 

Treinamento

A fim de incorporar esses padrões ao dia a dia da franchising, é preciso haver treinamentos tanto do franqueado (enquanto gestor do negócio) quanto de sua equipe. 

Essa capacitação pode acontecer de forma presencial ou no formato EAD, conforme parecer do franqueador, e não somente no momento de inauguração da franquia, e sim, com certa frequência, para que toda a rede opere em sincronia.  

Padronização

Quanto à padronização da franquia, vários são os fatores que devem ser levados em conta: 

  • O projeto arquitetônico e tudo que o abrange, como compra de mobiliário, equipamentos e estoque inicial;
  • Ações de marketing necessárias à inauguração da franquia;
  • Tempo médio para execução das tarefas;
  • Instruções para lidar com o estoque e a reposição de insumos e mercadorias
  • Orientação para prestar um atendimento de excelência ao cliente;
  • Controle do caixa, movimentações bancárias, descontos e tributos;
  • Verificação constante se os padrões da franquia estão em harmonia com os de toda a rede. 

Automação

Para reunir todos os elementos que compõem a gestão e as operações de uma franchising, o uso de softwares e outros recursos tecnológicos é praticamente obrigatório. 

Prova disso é quando utilizamos o serviço de drive-through de um restaurante tipo fast-food

Fazemos o pedido através de um microfone; o/a atendente o transcreve no sistema; simultaneamente a equipe da cozinha é notificada da solicitação e um software calcula o valor total do lanche, disponibilizando as formas de pagamento utilizadas pela rede de franquias. 

Com o exemplo, podemos depreender que, se, em empresas que não estão inseridas no modelo de franquia, a utilização de automação comercial já vem se mostrando urgente, em franchises, essa necessidade é ainda maior, pois os franqueados têm de operar em sincronia com toda a rede a que pertencem. 

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