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Investidor-anjo: o que é e o que o diferencia dos demais

Finanças

Investidor-anjo
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Uma palestrante uma vez disse que, ao abrir sua primeira brigaderia, não tinha mais crédito no banco e precisou comprar fiado do dono da gráfica que lhe fornecia embalagens. Bom, ter todo o dinheiro para começar um negócio próprio nem sempre é possível, mas um investidor-anjo pode ajudar (e muito!) a enfrentar essa situação.

Você sabe o que é um investidor-anjo? De que forma ele atua? O que o diferencia dos demais tipos de investidores e como prospectar um?

Acompanhe a leitura deste guia e fique por dentro dessas (e muitas outras) questões!

O que é investidor-anjo?

“Investidor-anjo” é a tradução do termo em inglês “angel investor” ou “business angel“, que passou a ser utilizado nos Estados Unidos, no início do século 20, para fazer referência aos investidores que custeavam a produção das peças da Broadway.

Esses investidores assumiam os riscos dos investimentos que faziam e, por outro lado, participavam do retorno financeiro desses espetáculos, apoiando a execução de cada um.

O conceito de investidor-anjo evoluiu de lá para cá e hoje ele representa o investimento com capital próprio realizado por pessoas físicas (geralmente empresários bem-sucedidos) em empresas iniciantes (startups) com grande potencial de crescimento.

É importante destacar que o investidor-anjo não oferece apenas capital financeiro, mas também intelectual, na medida em que, por meio do know-how acumulado, apoia novos empreendedores.

Para além das questões financeiras, a contrapartida do investimento que o investidor-anjo faz é a participação societária minoritária no negócio.

Além disso, o investidor-anjo não assume função executiva na empresa. Em vez disso, ele atua como conselheiro dos empreendedores e colabora com decisões estratégicas.

Agora que já sabemos o que é investidor-anjo, vamos saber como ele atua? Confira a seguir!

Como o investidor-anjo atua?

O investimento-anjo geralmente é feito por um grupo de até 5 investidores, o que dilui os riscos entre eles e lhes permite dividir as tantas obrigações da função.

Uma tendência entre os investidores-anjo é a indicação de um investidor-líder, que faça uma avaliação prévia do projeto e uma eventual negociação com o empreendedor, de forma que, posteriormente, ele seja apresentado aos outros investidores-anjo.

Essa divisão de cargos e funções torna a vida do investidor-anjo (e o próprio investimento-anjo) mais fácil.

Afinal, realizar todo o processo em grupo poderia ser algo muito lento, já que  conciliar a agenda de todos os investidores-anjo para fazer uma única reunião pode se transformar em um desafio.

Vale reforçar que o investidor-anjo não atua simplesmente injetando capital em uma empresa para que ela cresça rapidamente.

O investidor-anjo compartilha também seu conhecimento acumulado com o empreendedor, prestando-lhe mentorias e aconselhamentos.

Além disso, o investidor-anjo contribui com experiência e rede de contatos. Não é à toa que o investimento-anjo também é chamado de “dinheiro inteligente” (smart money).

Isto porque, por trás do capital investido, há muito valor agregado, seja em forma de know-how compartilhado ou de possibilidade de fazer networking.

Investidor-anjo, crowdfunding e venture capital: quais as diferenças?

Confira, na tabela abaixo, as principais diferenças entre estes tipos de investimento.

Investidor-anjoCrowdfundingVenture capital
Geralmente é uma pessoa física que decide investir em uma empresa com alto potencial de crescimento logo no início de suas operações. Campanha de financiamento coletivo mediada por uma plataforma on-line. Investimento de alto risco feito por empresas e/ou fundos de investimento em empresas jovens com alto potencial de rentabilidade.  
Tem como contrapartida a participação societária. Não envolve participação societária na startup. Tem uma participação societária mais robusta. 
Investe em empresas que estão nascendo e apoia, financeira e ideologicamente, seu crescimento. Pode ser feito em qualquer estágio da empresa, mas a preferência é pelo período em que ela está começando. Investe mais em empresas que estão em estágio mais avançado e provaram seu potencial de desenvolvimento.  
O empreendedor pode criar seu próprio pitch (breve apresentação sobre seu negócio com intuito de atrair a atenção de investidores)  e procurar um investidor-anjo em sua rede de contatos. A campanha de arrecadação de capital pode ser aberta pelo próprio empreendedor em qualquer site de crowdfunding.Para ser contemplada com fundos de venture capital, a startup passa por um processo bem rigoroso de análise.

Será que sua empresa precisa de um investidor-anjo?

A procura por custeio de um investidor-anjo deve acontecer no estágio inicial da startup, ou seja, na fase de concepção, de forma a complementar o capital investido pelos sócios majoritários.

Para isso, é importante que o empreendedor tenha um Produto Viável Mínimo para tornar seu pitch de fato convincente ao potencial investidor.

Mas, antes de sair por aí à procura de um investidor-anjo para o seu negócio, é fundamental refletir se de fato você precisa de um.

Lembrando que, quando um empreendedor se alia a um investidor-anjo, é preciso lhe passar o máximo possível de informações da empresa, incluindo obviamente os pontos negativos.

Para mapeá-los corretamente e com precisão, é interessante apurar dados através da Análise SWOT.

Como o investidor-anjo atua também como um mentor, empreendedores que buscam por um devem estar abertos a críticas e ação conjunta visando à expansão da empresa.

Então, se você tem um perfil mais centralizador e não deseja passar os segredos da sua marca a ninguém, é bem provável que o investidor-anjo não sirva para você.

Outra questão importante é que o investidor-anjo é alguém que deve ajudar na expansão da empresa, e não no pagamento de dívidas pessoais do empreendedor.

Acompanhe abaixo os principais critérios que uma empresa deve ter para procurar um investidor-anjo!

  • Traga algum tipo de inovação — seja no produto ou serviço que comercializa; no processo de produção ou comercialização ou no modelo de negócio;
  • Tenha alto potencial de crescer, isto é, que seja um negócio escalável;
  • Atue em um nicho expressivo e com potencial de constante crescimento;
  • Conte com um modelo de negócio original, ou seja, que não pode ser facilmente copiado pela concorrência;
  • Busque um investimento entre R$ 100 mil e R$ 800 mil;
  • Fature menos de R$ 1 milhão por ano.

Como encontrar o investidor-anjo ideal para a sua empresa?

Antes de sair à caça de um investidor-anjo, é imprescindível conhecer as particularidades tanto do segmento de atuação do seu negócio quanto do próprio investidor-anjo.

Mas é possível seguir um roteiro básico para conseguir esse investimento. Confira abaixo, amigo leitor!

Entenda o propósito da sua marca

Se você deseja abrir uma empresa, não deve pensar apenas nos rendimentos que a comercialização de produtos ou serviços trará.

O valor agregado daquilo que você oferece é imprescindível para a sustentabilidade e o diferencial competitivo da sua marca.

Tendo isso em mente, considere qual é o sentido por trás da vontade de abrir uma empresa e reflita se você está disposto a dedicar boa parte do seu tempo à execução dessa ideia.

Ciente disso tudo, fica mais fácil convencer um investidor-anjo a embarcar no seu sonho junto com você, pode apostar!

Crie um plano de negócio

É o plano de negócio que vai definir o principal objetivo da sua empresa. Então, ele é importante para o investidor-anjo entender a essência do seu negócio.

Um bom plano de negócio deve abordar as seguintes questões:

  • Análise dos pontos fortes e fracos da empresa (novamente a Análise SWOT é uma boa ferramenta a ser utilizada);
  • Benchmarking (estudo da concorrência);
  • Definição e detalhamento do segmento de atuação da empresa;
  • Planejamento financeiro, operacional e de marketing;
  • Teste e validação de ideias com o público consumidor.

Analise o mercado

Estude profundamente o mercado de atuação da sua empresa, de forma a entender as dores do público-alvo desse segmento e lhe propor as melhores soluções.

Identificando um problema ou uma carência importante nesse nicho, você deve ouvir atentamente os clientes-alvo da marca para ver se suas ideias vão ao encontro das expectativas deles.

Com um feedback positivo desse público consumidor, o argumento para apresentar ao investidor-anjo torna-se mais consistente.

Na análise do segmento de atuação da sua marca, deve-se fazer também o estudo da concorrência para ver de que forma sua empresa se diferencia.

Capriche na apresentação da sua empresa

O investidor-anjo certamente vai avaliar o risco do investimento e o retorno que ele trará.

Levando isso em consideração, na hora de fazer a apresentação da sua empresa, aborde não só a inovação que está por trás dos propósitos da marca, mas também um problema que será resolvido pela sua empresa, além do modelo de negócio.

Nesse sentido, responda com clareza à seguinte pergunta: qual dor a sua empresa resolve?

Além disso, pense em como você vai monetizar o seu modelo de negócio. Quanto mais aprofundada estiver a apresentação da sua empresa, mais chance ela terá de receber investimento.

Com uma apresentação bem-feita, você pode buscar um investidor-anjo na sua rede de contatos, em uma rede de investidores-anjo ou até em eventos para empreendedores.

Outro ponto importante é adaptar o conteúdo da apresentação a um pitch que irá cativar de vez a atenção do investidor-anjo.

Tenha bons parceiros de negócio

Para transformar uma ideia em um negócio e torná-lo bem-sucedido, é preciso se cercar de bons parceiros.

Então, é importante ter um time forte e terceirizar alguns serviços, principalmente aqueles que sua equipe não domina. Essa terceirização certamente irá beneficiar o caixa da empresa.

Essa atitude vale não só para atrair um bom investidor-anjo, mas também para alavancar o seu negócio.

Domine as principais métricas

Outra medida para atrair a atenção de um investidor-anjo é utilizando as principais métricas relacionadas aos resultados da companhia.

Essas métricas permitem avaliar os resultados da empresa em determinado período. As principais delas são:

Retorno Sobre Investimento (ROI)

O ROI mede o resultado financeiro de um investimento, indicando perdas e ganhos da empresa ao investir tempo e dinheiro nela.

É importante destacar que o ROI abrange todas as ações que visam ao lucro futuro e, além de indicar os investimentos que compensam, essa métrica também ajuda o empresário a otimizar tarefas que dão certo, potencializando, assim, os resultados da empresa.

Custo por Aquisição de Cliente (CPA)

O CPA é uma métrica do marketing digital que mede o valor gasto em cada nova “aquisição” da sua campanha de mídia paga.

O cálculo do CPA é bem simples de fazer. Divide-se o valor investido em uma campanha pelo número de conquistas que ela teve.

5Ts

Os 5Ts correspondem a: Time, TAM, Tech, Tração, Trenches, sendo:

  • Time: aborda a equipe da startup e suas conquistas e qualificações;
  • TAM (Total Addressable Market): mostra o tamanho do mercado que a startup pretende explorar;
  • Tech: representa a tecnologia que será usada na criação do produto ou serviço;
  • Tração: revela a consistência da ideia do negócio bem como as possibilidades de crescimento escalável;
  • Trenches (defesas): indica o quanto o negócio é inovador e forte a ponto de estabelecer uma “barreira natural” à entrada de novos players de mercado.

Com relação à utilização dessas métricas, além de medir o desempenho passado, deve-se também calcular a performance futura tendo como base padrões e tendências.

Antes de finalizar este guia, vamos responder a duas perguntas frequentes referentes ao investidor-anjo. São elas:

Quais mercados os investidores-anjo mais procuram?

De maneira geral, não há um mercado específico que seja mais procurado por um investidor-anjo. O que esses investidores buscam é um modelo de negócio realmente inovador, escalável e que de fato comprove seu potencial de expansão.

Quem são os principais investidores-anjo do Brasil?

Quer encontrar um investidor-anjo para a sua empresa? O site do grupo sem fins lucrativos, Anjos do Brasil, pode te ajudar nessa procura.

Quanto aos principais investidores-anjo do Brasil, destacamos os seguintes nomes:

  • Romero Rodrigues: criador do site Buscapé;
  • Julio Vasconcellos: cofundador do Peixe Urbano;
  • Eduardo Brennand: investidor de empresas, como o Quinto Andar;
  • Camila Farani: diretora da G2 Capital (boutique de investimento em startups);
  • Rodrigo Dantas: fundador da fintech Vindi.

Lembrando que o momento ideal para procurar um investidor-anjo é quando sua empresa chega à fase de operação, ou seja, quando sua ideia de empresa saiu do papel e já há um protótipo sendo testado.

E assim vamos finalizando mais um guia, amigo leitor, com a expectativa de que ele contribua efetivamente para o desenvolvimento do empreendedor que existe em você.O investidor-anjo é apenas uma possibilidade de investimento que você pode conseguir para sua empresa. Para conhecer outros tipos de investimento, baixe e leia nosso e-book sobre o tema. Boa leitura e até a próxima!

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