Controlar melhor as contas de uma empresa costuma ser a busca constante de bons gestores. E saber o conceito e as diferenças de Regime de Caixa e Regime de Competência pode ajudá-los nesse processo.
Foi pensando nisso que escrevemos este guia. Nele iremos abordar:
- Regime de Caixa e Regime de Competência: o que eles representam;
- Quais as diferenças entre Regime de Caixa e Regime de Competência;
- Quando utilizar o Regime de Caixa e o Regime de Competência;
- Qual regime é obrigatório para as empresas;
- Prós e contras do Regime de Caixa;
- Vantagens e desvantagens do Regime de Competência;
- Como o Regime de Caixa e Regime de Competência impactam a gestão da empresa.
Ufa, muita informação, hein. Preparado para decolar? Então, siga com a gente!
Regime de Caixa e Regime de Competência: o que eles representam
Regime de Caixa é o método contábil utilizado pela área financeira da empresa para fazer o registro de receitas, despesas, pagamentos e investimentos no momento em que ocorrem as transações de dinheiro referentes a eles.
Vamos recorrer a um exemplo hipotético, a fim de entender melhor esse conceito?
Suponha que você tenha uma loja virtual de roupas e vendeu uma calça jeans, parcelando o valor em quatro vezes.
Seguindo a lógica do Regime de Caixa, os valores dessas parcelas só serão contabilizados quando eles forem recebidos efetivamente.
O caminho inverso também serve de exemplo para ilustrar o Regime de Caixa.
Imagine que você faça uma compra a prazo para o seu e-commerce. Nesse caso, as despesas deverão ser registradas somente nas datas em que elas forem quitadas.
Companhias enquadradas no regime tributário Lucro Presumido, além de micro e pequenas empresas, podem fazer o balanço e pagar os impostos utilizando o Regime de Caixa.
Como este artigo aborda Regime de Caixa e Regime de Competência, é hora de entendermos o que representa este último. Continue por aí, hein?
Regime de Competência
Diferentemente do Regime de Caixa, o Regime de Competência é o procedimento usado pelo setor contábil da empresa para registrar a ocorrência de algum evento — compra, venda, despesa e investimento.
Esse regime não exige que a data desses eventos coincida com a entrada ou saída real de dinheiro.
Portanto, o registro de uma compra ou venda, seguindo os parâmetros do Regime de Competência, pode ser feito no dia corrente, por exemplo, e o respectivo recebimento ou pagamento acontecer só daqui a um mês.
O Regime de Competência pode ser entendido melhor por meio de alguns exemplos. Então, vamos lá!
Se você contratou um serviço e pretende pagá-lo a prazo, o valor total desse serviço é registrado no dia em que se fechou o contrato com quem for prestá-lo.
Outra situação refere-se à compra de algum material ou equipamento para a empresa. Não importa em quantas vezes você irá quitar o valor dessa aquisição. A data da compra é o que importa neste contexto.
Quais as diferenças entre Regime de Caixa e Regime de Competência
Observando a definição de Regime de Caixa e Regime de Competência, concluímos que a principal diferença entre eles refere-se à forma como são registrados os lançamentos.
Enquanto o Regime de Caixa sinaliza que alguma movimentação financeira ocorreu, o Regime de Competência aponta a data em que determinado compromisso financeiro foi firmado.
Detalhe: no Regime de Competência, a entrada ou saída de capital é registrada quando o evento acontece, ainda que o pagamento seja feito posteriormente.
Então, se uma venda for realizada em janeiro, por exemplo, ela será registrada neste mês mesmo se o seu pagamento for realizado somente em fevereiro.
Na verdade, o que mais importa ao Regime de Competência é o chamado “fato gerador“, isto é, a data da ocorrência que deu origem a um lançamento contábil.
Já no Regime de Caixa, esse registro é feito apenas no momento em que a despesa foi paga e a receita, recebida.
Então, se uma compra foi realizada em março, por exemplo, e paga em abril, o lançamento contábil, conforme o Regime de Caixa, deverá ser feito neste último mês.
Recapitulando, então, as diferenças entre Regime de Caixa e Regime de Competência, temos:
- Regime de Caixa: as despesas e receitas são contabilizadas apenas nas datas de seus pagamentos e/ou recebimentos;
- Regime de Competência: as despesas e receitas acontecem na data da situação que gerou o evento contábil, não importando quando o pagamento será realizado.
Não é difícil diferenciar Regime de Caixa e Regime de Competência, não é mesmo, amigo leitor? Basta pensarmos no pagamento efetivo de débitos e recebimento de quantias e o fato gerador desses eventos financeiros.
Quando utilizar o Regime de Caixa e o Regime de Competência
Na dúvida sobre quando utilizar Regime de Caixa e Regime de Competência, saiba que os dois são imprescindíveis para qualquer negócio. Isto é, um regime não deve excluir o outro; ambos precisam ser complementares.
Afinal, o Regime de Competência tira um raio-X da estrutura financeira da companhia e das perspectivas para o longo prazo.
Por conta disso, caso a empresa tenha diversos débitos para quitar no fim do ano, por exemplo, é possível se antecipar a eles no momento do fato gerador de cada um.
Cabe ao Regime de Competência também, além de levar em conta as vendas realizadas e as despesas adquiridas, considerar a depreciação.
É importante destacar que um dos principais relatórios de gestão de uma empresa, o Demonstrativo de Resultados do Exercício — DRE, é elaborado pelo Regime de Competência.
Por meio desse demonstrativo, é possível saber se a empresa teve lucro ou prejuízo em determinado período.
É inegável que o Regime de Competência traz uma visão global da empresa, mas é fundamental também ter um panorama daquilo que está acontecendo no dia a dia; “no agora”.
E é aí que entra a importância do Regime de Caixa. Com ele, enxergamos a situação financeira da empresa no momento presente.
Como os recursos do negócio vêm sendo distribuídos? Através desse regime, conseguimos responder a essa pergunta e ter um diagnóstico da saúde financeira do empreendimento.
Aplicando o Regime de Caixa e Regime de Competência na sua empresa, criam-se maneiras de conduzir melhor o negócio, otimizar o controle do caixa e, consequentemente, obter resultados mais satisfatórios.
Qual regime é obrigatório para as empresas
Entre Regime de Caixa e Regime de Competência, qual é exigido pela Lei?
Segundo o Comitê de Pronunciamentos Contábeis — CPC, órgão que reúne representantes de várias entidades, inclusive o Conselho Federal de Contabilidade, o Regime de Competência é o recomendado para para demonstrações contábeis das empresas.
Isso vale também para as Sociedades Anônimas, que são organizações cujo patrimônio é dividido em ações. Alguns exemplos desse formato de empresa são: Itaú, Petrobras e Tim.
O Regime de Competência é usado também na declaração do imposto de renda de pessoa jurídica nos casos em que ela for baseada no Lucro Real.
Empreendimentos que estiverem cadastrados no Simples Nacional ou Lucro Presumido podem optar pelo Regime de Caixa.
Concluímos, então, que o Regime de Competência não é obrigatório para todos os tipos de empresas.
Mas, mesmo que fosse, seria necessário utilizar também outras estratégias para aprimorar a gestão da empresa, principalmente no que diz respeito à saúde financeira.
Até aqui vimos o conceito, as diferenças e quando utilizar o Regime de Caixa e Competência. Nos próximos tópicos, vamos conhecer as vantagens e desvantagens desses regimes.
Prós e contras do Regime de Caixa
O Regime de Caixa é indicado especialmente para micro e pequenas empresas, porque ele dá um diagnóstico rápido e preciso da real situação econômica da empresa no momento.
Nesse sentido, esse regime leva vantagem sobre o Regime de Competência, já que este não dispõe de um relatório preciso de quanto a empresa possui, em termos de capital, no momento da apuração do caixa.
As principais vantagens do Regime de Caixa são:
- Expõe a situação real do fluxo do caixa da empresa, em razão de considerar as movimentações financeiras efetivas;
- Mostra a liquidez do negócio, permitindo que líderes e gestores entendam qual é a capacidade da empresa de cumprir com suas obrigações financeiras referentes a colaboradores, fornecedores, impostos etc;
- Contribui para as tomadas de atitude no curto prazo, já que dá uma dimensão do orçamento atual e, consequentemente, mostra se o momento é adequado para fazer investimentos ou é preciso poupar capital;
- Proporciona aos gestores maior facilidade gerencial, principalmente no que diz respeito à gestão fiscal. Isso porque os impostos podem ser pagos depois que o dinheiro do cliente for recebido — seja nas vendas a prazo, seja em prestação de serviços, por exemplo;
- É fácil de ser aplicado, uma vez que se aproxima muito da forma como costumamos gerir nossas finanças pessoais.
Já as desvantagens desse regime são:
- Não dá uma visão 360º da organização, pois é focado nas movimentações financeiras do curto prazo, isto é, do que está acontecendo no momento presente;
- Compromete as tomadas de atitude de médio e longo prazo, na medida em que compromissos financeiros futuros não são contabilizados;
- Apresenta maior dificuldade para controlar as operações da companhia, porque aborda uma visão mais segmentada do negócio;
- Como as despesas e receitas são consideradas apenas no momento em que ocorrem, não há um planejamento financeiro.
Vantagens e desvantagens do Regime de Competência
Qual é a capacidade da sua marca de gerar riqueza? Como anda a saúde financeira do negócio?
Por meio do Regime de Competência, fica mais fácil compreender essas questões. Afinal, ele se baseia em relatórios e demonstrativos da empresa.
Os principais benefícios que esse regime traz às organizações são:
- Apresenta a rentabilidade da empresa, mostrando a projeção de receita a longo prazo e se ela vai ser suficiente para cobrir todos os encargos e, mais que isso, gerar lucro;
- Torna a análise financeira da empresa mais confiável, uma vez que as entradas e saídas são consideradas a partir de uma perspectiva bem ampla;
- Contribui para a mudança de conduta da empresa caso ela não esteja apresentando os resultados esperados;
- Facilita o planejamento de investimentos, levando em conta as projeções de entradas;
- Mantém os compromissos com as leis em dia, visto que esse regime é o mais aceito por órgãos de fiscalização;
- Avalia a depreciação da empresa, indicando o período em que ela teve algum tipo de prejuízo;
- Monitora o crescimento da empresa, porque esse modelo torna-se obrigatório quando a marca atinge determinado tamanho.
Com relação aos pontos fracos do Regime de Competência, destacamos:
- Conta com uma receita antes de ela se concretizar. Isso porque entre um lançamento contábil o seu pagamento, muita coisa pode acontecer, inclusive a inadimplência;
- Desconhece a real situação do caixa da empresa, porque nos registros pode haver receitas e despesas não quitadas;
- Pode atravancar o fluxo do caixa, mantendo algumas quantias empacadas com o objetivo de pagar débitos futuros.
Como o Regime de Caixa e Regime de Competência impactam a gestão da empresa
Mostramos, ao longo deste guia, que os dois regimes contábeis — Regime de Caixa e Regime de Competência — são muito importantes.
Enquanto este último é fundamental para as questões legais, o Regime de Caixa é imprescindível para as demandas financeiras da companhia.
É preciso entender a importância de manter esses dois regimes integrados, porque um gestor não pode contar com quantias que ainda não foram recebidas nem desconsiderar valores referentes à depreciação.
Lembrando que esses fatores não fazem parte do Regime de Caixa, porém se mostram indispensáveis ao bom andamento e aos resultados de qualquer empresa.
Podemos concluir, então, que o Regime de Caixa e Regime de Competência têm igual valor e, se aplicados de forma complementar, irão impulsionar os resultados da organização.
Vale destacar que, contando com uma assessoria contábil, sua empresa irá caminhar de forma mais segura ao encontro do desenvolvimento contínuo.
E assim vamos chegando ao fim de mais um artigo, amigos leitores.
Na sua empresa, entre Regime de Caixa e Regime de Competência, qual predomina? Como dissemos ainda há pouco, uma assessoria contábil pode ser muito útil para impulsionar o seu negócio. Leia o conteúdo exclusivo sobre esse tema. Até a próxima.