Metodologia Scrum: um guia simples para colocar em prática

Você já ouviu falar em metodologia Scrum? Sabia que, independentemente do seu ramo de atuação, ela pode ser muito útil na gestão de diferentes projetos na sua empresa?

Neste artigo, falaremos dos seguintes aspectos da metodologia Scrum:

  • Como surgiu a metodologia Scrum;
  • Papéis da equipe que utiliza o Scrum;
  • Para que serve essa metodologia;
  • De que forma o Scrum funciona.

Vale a pena conferir este artigo, porque o conteúdo apresentado aqui irá, no mínimo, fazer você rever os processos de trabalho utilizados pela sua equipe. Vamos juntos?

Como surgiu a metodologia Scrum?

A palavra scrum tem origem no jogo de Rugby (parecido com o futebol americano), mais precisamente no momento em que todo o time em campo está reunido, formando um só “bloco”, com o intuito de mover a bola em direção ao gol.

Saindo um pouco do universo esportivo, o Scrum é definido como um framework (no bom português, uma ferramenta), a partir do qual é possível resolver problemas complexos de maneira produtiva e criativa.

Inicialmente, a metodologia Scrum foi criada para desenvolvimento de softwares.

Porém, com o tempo, viu-se que ela poderia ser usada em diferentes tipos de projetos, desde que eles apresentassem certa complexidade.

Historicamente, a expressão apareceu pela primeira vez em um artigo publicado na Harvard Business Review em 1986.

A autoria da publicação é do professor de gerência corporativa, Hirotaka Takeuchi e do também professor, só que da área de gestão do conhecimento, Ikujiro Nonaka.

No artigo intitulado The New New Product Development Game (“O Novíssimo Jogo de Desenvolvimento de Produto”), Takeuchi e Nonaka propõem que a criação de um produto não deve ser como uma corrida de revezamento, em que tudo acontece em sequência.

Segundo os autores, o desenvolvimento de um produto deve acontecer como um jogo de Rugby, em que o time trabalha em conjunto, compondo uma unidade.

Eles perceberam que equipes menores e multidisciplinares tinham uma performance melhor e passaram a associá-las ao Scrum do Rugby.

Nele, se um jogador por acaso não cumprir corretamente sua função, a jogada toda pode fracassar, feito um quebra-cabeça com peças faltantes.

Sete anos depois da publicação do artigo, isto é, em 1993, Jeff Sutherland, John Scumniotales e Jeff McKenna documentaram o Scrum e passaram a implementá-lo como um novo estilo de gerenciamento.

Dois anos mais tarde, Ken Schwaber formalizou a definição da metodologia Scrum e contribuiu para sua implantação no desenvolvimento de softwares em todo o mundo.

De lá para cá, profissionais, autores e especialistas da metodologia Scrum continuam a aprimorá-la.

Entendida a origem e o propósito da metodologia Scrum, é importante conhecer os papéis da equipe que utiliza esse método. Falaremos disso no próximo tópico.

Quem é quem na metodologia Scrum?

As equipes de projetos geridos com a metodologia Scrum são compostas principalmente de três papéis:

  • Product Owner (“dono do produto”);
  • Scrum Master (“mestre do Scrum”);
  • Time de desenvolvimento.

Podem haver outras funções ao utilizar a metodologia Scrum, mas o framework básico requer apenas esses três papéis. Vamos conhecer mais cada um deles?

Product Owner

Na metodologia Scrum, o Product Owner (PO) tem soberania do produto ou serviço, que é o objeto final do projeto.

Portanto, cabe ao PO determinar o que será feito em cada sprint (ciclo rápido de produção), seguindo uma prioridade, pois é esse colaborador o responsável pela qualidade de cada entrega ao cliente.

É responsabilidade do Product Owner também comunicar a todos os outros participantes da equipe Scrum as falhas, os pontos de melhorias e os objetivos do projeto.

Vale destacar ainda que, à frente do cargo, ele deve colaborar ativamente para o atingimento dos resultados pretendidos.

Isso inclui se mostrar sempre disponível para responder prontamente às dúvidas do time.

Scrum Master

Dentro da metodologia Scrum, quem desempenha essa função é incumbido de ajudar os envolvidos a entender e seguir os valores, princípios e práticas do Scrum.

Cada ação do Scrum Master visa criar as condições perfeitas para que o time consiga executar as tarefas previstas de maneira cada vez mais autogerenciável.

Uma das regras da metodologia Scrum é a realização de encontros diários e rápidos, em que a equipe expõe os resultados alcançados e a programação para o dia corrente.

O ideal é que o Scrum Master esteja presente nessas reuniões, a fim de propor resoluções efetivas a eventuais problemas que forem reportados.

Cabe ao Scrum Master também se antecipar a possíveis gargalos que surgirem. Assim, antes de o time se queixar de alguma dificuldade encontrada, o fluxo de trabalho não será interrompido, pois a solução já terá sido engatilhada.

Time de desenvolvimento

Seguindo a metodologia Scrum, esse time é formado por uma equipe multidisciplinar com funções bem definidas.

Compete a ela idealizar, criar e testar o produto final do projeto, além de realizar entregas parciais (e usáveis) do que está sendo desenvolvido ao cliente.

O ideal é que essa equipe se autogerencie com o intuito de estabelecer a melhor maneira de trabalhar e atingir, então, a meta determinada pelo Product Owner.

Esses times costumam ser enxutos (de 5 a 10 pessoas), mas a metodologia Scrum também pode ser usada em projetos que exijam equipes bem maiores.

Porém, em vez de apostar em um time com, por exemplo, 25 pessoas, seria mais interessante dividi-lo em subgrupos. Dessa maneira, a gestão e os resultados previstos tendem a ser mais bem-sucedidos.

Agora que já vimos a origem do Scrum e conhecemos o papel de cada membro que utiliza esse método em seus processos, vamos entender para que serve, afinal de contas, a metodologia Scrum?

Afinal, para que serve o Scrum?

Se você chegou a este ponto da leitura, pode estar se perguntando: a metodologia Scrum parece bem vantajosa, mas em quais situações e organizações eu posso aplicá-la de fato? É o que vamos ver agora.

Se a princípio a metodologia Scrum estava mais voltada para o contexto da tecnologia, hoje ela pode ser incorporada a qualquer setor do mercado em que haja a necessidade de desenvolvimento de projetos.

Isso porque os benefícios trazidos pelo Scrum transcendem a área da TI. Veja alguns desses benefícios:

Agilidade

Com a metodologia Scrum, foca-se nas tarefas essenciais para a criação do produto ou serviço.

Nesse sentido, diminui o desperdício de tempo e de recursos, além de diminuir também o volume de ideias que não somam. Como consequência, o projeto tende a andar mais depressa e o produto final na certa irá apresentar mais qualidade.

Motivação para a equipe

A metodologia Scrum possibilita que um problema seja dividido em pequenas etapas para ser resolvido.

Por conta disso, cada membro da equipe saberá exatamente o que fazer em cada etapa do projeto.

A constante interação e colaboração entre o time acaba proporcionando isso, o que motiva todos os envolvidos a ter uma performance melhor e atingir os objetivos em conjunto.

Ainda que a meta primordial da metodologia Scrum seja atender os desejos do cliente, a forma como ela é praticada contribui também para o bem-estar de toda a equipe.

Flexibilidade

Como o Scrum é marcado por constantes reuniões, que permitem alinhar requisitos e adequar os processos a mudanças e novas necessidades dos clientes, as equipes acabam se adaptando a diferentes cenários e situações.

Dessa forma, é mais fácil flexibilizar a produção sem sacrificar muito o time, que vem se acostumando a trabalhar com colaboração e visando sempre à qualidade.

Entregas frequentes

Um dos pontos altos da metodologia Scrum são as entregas constantes. Por meio delas, o cliente passa a ter mais clareza do resultado e maior participação no processo.

Com o feedback do consumidor, o time é capaz de ajustar o que for preciso para que a entrega final seja o mais satisfatória possível.

Transparência

Outro grande benefício trazido pela metodologia Scrum diz respeito à transparência que ela traz aos envolvidos: membros da produção, líderes e clientes.

Com o Scrum, é possível saber com precisão o que foi feito em cada fase, o progresso das etapas, além de por que houve menos produtividade em determinado período.

Isso contribui para as tomadas de decisão nas empresas de diferentes segmentos e, como consequência, para o alcance de melhores resultados.

Visto como a metodologia Scrum pode ser implementada em diferentes áreas, é chegado o momento de compreender como ela funciona. Siga com a gente!

Como o Scrum funciona?

De antemão, é importante saber que o Scrum é criado dentro da metodologia ágil. E você pode estar se perguntando: “mas o que é metodologia ágil“?

Trata-se de um modo de atender aos pedidos do cliente não de uma vez só (o que pode levar muito tempo), mas por meio de entregas parciais.

Elas, caso não satisfaçam esse cliente, o deixarão à vontade para fazer críticas e solicitações de melhorias.

Assim, as demandas são executadas em etapas e, somente quando uma é concluída, é que se passa para a próxima, evitando que a entrega do produto final desaponte o consumidor.

Dessa forma, em vez de o cliente ficar um tempão esperando pelo produto ou serviço solicitado e, na hora em que o receber, apontar “n” defeitos nele, ele acompanha todo o desenvolvimento da demanda.

Isso lhe permite pedir ajustes, melhorias e, enfim, participar mais ativamente do processo de produção do item desejado, evitando retrabalhos e gastos desnecessários.

Sabendo isso, agora vamos partir para o ponto mais importante deste tópico: como aplicar o Scrum?

Siga o roteiro a seguir para implementar a metodologia na rotina da sua empresa!

8 passos para implantar o Scrum na sua empresa o quanto antes

Se você leu este guia até aqui, é provável que esteja preparado para entender com facilidade o passo a passo que iremos mostrar a seguir e, mais que isso, colocá-lo em prática o quanto antes.

Vamos lá?

1. Definir o que os colaboradores vão fazer no projeto

Como já vimos, ao utilizar a metodologia Scrum, é preciso ter, no mínimo, estes três cargos bem definidos: Product Owner, Scrum Master e equipe de desenvolvimento.

Olhando para o seu staff, quais colaboradores irão ocupar essas funções? Sem essa escolha, não dá para começar a usar o Scrum nos projetos da sua empresa.

2. Realizar o primeiro contato com o cliente

Definido quem irá assumir a função de Product Owner, ele deve realizar a primeira reunião com o cliente.

Nesse encontro, deve-se conhecer a demanda do consumidor em detalhes.

Porém, se algum pormenor passar batido, haverá outras oportunidades para alinhar essas questões e fazer os ajustes necessários. Isso faz parte da lógica do Scrum.

3. Criar uma lista de prioridades

Depois de realizado o primeiro encontro com o cliente, o Product Owner deve fazer o Sprint Backlog (sprint o quê? Você deve estar se questionando).

A expressão refere-se à lista de tarefas que devem ser executadas conforme as solicitações e prioridades do cliente.

Assim, a equipe será instruída sobre como começar o processo de criação do que foi solicitado.

4. Elaborar um plano

Sabendo quais são as prioridades para o desenvolvimento do produto/serviço, já dá para planejar as ações que serão desenvolvidas no primeiro sprint do projeto.

Nesse planejamento duas questões precisam ser bem definidas:

  • Quem será responsável por cada tarefa;
  • Qual é o prazo para a entrega de todas elas.

Na metodologia Scrum, vale lembrar, é imprescindível que o projeto seja dividido em atividades menores, executáveis e que demandem um tempo mais curto para serem desenvolvidas.

5. Fazer um quadro para acompanhamento das tarefas

Para quem usa a metodologia Scrum, é recomendado utilizar um quadro dividido em três colunas: “A fazer“, “Fazendo” e “Feito“.

Ao utilizar esse recurso, é possível ter uma visão panorâmica do andamento das ações do projeto. Com o intuito de facilitar o manejo desse quadro, é aconselhado usar Post-its ou algum software que tenha quadro de tarefas, como o Trello.

Dessa forma, à medida que as etapas forem concluídas, é só você reposicionar as notas autoadesivas.

6. Colocar a mão na massa

Consideradas todas as questões citadas até aqui, é hora de cada membro da equipe Scrum começar a desenvolver as atribuições que lhe foram designadas.

É importante mencionar neste momento que, nas reuniões diárias, todos devem comunicar aos colegas os avanços conquistados até o momento.

7. Reunir-se com a equipe ao fim de cada sprint

Terminado cada sprint, serão feitas a Sprint Meeting Review e a Sprint Retrospective.

A primeira corresponde a uma revisão, após a finalização de cada sprint, de tudo o que foi feito e uma comparação entre a solicitação do cliente e o que já foi produzido.

A Sprint Retrospective, por sua vez, equivale a um debate entre a equipe sobre as melhorias que podem ser feitas nos próximos sprints com a contribuição de todos os membros da equipe.

8. Começar um novo ciclo

Concluída determinada sprint e realizadas as reuniões finais, é feito um novo planejamento contendo as novas prioridades da produção.

Lembrando que, baseando-se em ciclos anteriores, deve haver a preocupação com a melhoria contínua do produto/serviço em desenvolvimento.

E aí, prontos para modernizar de uma vez por todas os processos de trabalho na sua empresa?

Neste guia, pudemos explorar várias vantagens possibilitadas pela metodologia Scrum, não é mesmo? Para melhorar ainda mais a rotina da sua empresa, recomendamos um conteúdo sobre fluxograma de processos. Para ler, basta clicar aqui. Até a próxima!

Robson Lins

Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande, CMO na AM3 Soluções, apaixonado por cinema, música e tecnologia.

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