A transformação digital está impactando profundamente a forma como as empresas operam e as tecnologias emergentes têm sido cruciais nesse processo. Entre elas, o edge computing é uma solução inovadora que transforma a maneira como os dados são processados e utilizados nas organizações.
Esta tecnologia aproxima o processamento dos dados do local onde eles são gerados, possibilitando respostas mais rápidas e uma maior eficiência operacional.
Neste artigo, vamos explicar o que é edge computing, como ele funciona, quais são suas diferenças em relação à cloud computing, quais são seus benefícios e como implementá-lo.
Continue a leitura, amigo leitor!
O que é Edge Computing?
Edge computing é um tipo de arquitetura de TI que possibilita o processamento de dados na “borda” da rede, ou seja, próximo à fonte onde os dados são gerados.
O termo “edge” refere-se ao local onde os dados são processados, que pode ser qualquer dispositivo periférico, como sensores, câmeras, ou dispositivos IoT (internet das coisas), em vez de depender exclusivamente de um data center centralizado ou de uma solução de cloud computing.
A necessidade de desenvolvimento e utilização desta tecnologia surgiu devido à crescente demanda por processamento de dados em tempo real, especialmente em ambientes onde a latência — o tempo que os dados levam para viajar da origem até o destino e de volta — precisa ser minimizada.
Assim, a principal funcionalidade do edge computing é permitir que dados críticos sejam processados localmente, próximo ao ponto onde são criados, enquanto dados menos urgentes ou que precisam de uma análise mais profunda são enviados para a nuvem ou para um data center para processamento posterior.
Para compreender melhor o conceito de edge computing, é importante partir de suas diferentes partes, que incluem os dispositivos periféricos, as redes edge e a infraestrutura de borda.
Vamos entender a atuação de cada uma dessas partes em seguida.
Dispositivos periféricos
Os dispositivos periféricos são os pontos iniciais de coleta e processamento de dados no ambiente de edge computing.
Estes dispositivos incluem sensores IoT, câmeras de segurança, termostatos inteligentes, dispositivos móveis, entre outros.
Eles são responsáveis por capturar dados brutos e realizar um processamento inicial antes de enviar as informações relevantes para uma rede ou infraestrutura centralizada.
Por exemplo, em um ambiente de manufatura, sensores podem monitorar a temperatura e a vibração de máquinas, processando esses dados localmente para identificar possíveis anomalias em tempo real.
Redes edge
As redes edge são as estruturas que conectam os dispositivos periféricos à infraestrutura central ou à nuvem.
Elas desempenham um papel crucial ao garantir que os dados sejam transmitidos rapidamente e de forma eficiente, mantendo a baixa latência que é fundamental para o funcionamento do edge computing.
Essas redes não apenas transportam os dados, mas também podem fornecer camadas adicionais de segurança e controle de tráfego, possibilitando que as informações críticas sejam priorizadas e protegidas.
Além disso, a rede edge pode ser configurada para processar e filtrar os dados antes de encaminhá-los, reduzindo a carga na infraestrutura central.
Infraestrutura de borda
A infraestrutura de borda refere-se aos pequenos data centers e servidores locais que suportam o processamento de dados na borda da rede.
Esses data centers estão localizados fisicamente próximos aos dispositivos periféricos, o que reduz ainda mais a latência e melhora a eficiência do processamento de dados.
Essa infraestrutura é projetada para executar tarefas de computação intensiva que não podem ser completamente realizadas pelos dispositivos periféricos.
Ela conecta o ambiente edge à nuvem ou a um data center centralizado para processamento adicional ou armazenamento de longo prazo.
Por exemplo, em um cenário de varejo, a infraestrutura de borda pode processar transações de pagamento localmente, garantindo uma resposta rápida e confiável, antes de sincronizar esses dados com um sistema de back-end.
Como funciona o edge computing?
Com o crescimento exponencial de dispositivos conectados e a necessidade cada vez maior de processar dados de forma eficiente e em tempo real, o edge computing está se tornando uma solução indispensável para empresas que buscam otimizar suas operações e melhorar a experiência do cliente.
Mas como esta tecnologia funciona na prática? De modo simples, podemos pensá-lo como uma extensão do ambiente de nuvem, que cria um ecossistema uniforme que se estende desde o data center até os locais mais próximos dos usuários e dos dados.
A principal ideia por trás dessa tecnologia é processar os dados o mais perto possível de onde eles são gerados, o que reduz significativamente a latência e melhora a eficiência geral do sistema.
Ao invés de enviar todos os dados para um data center centralizado para serem processados, o edge computing realiza parte ou todo o processamento localmente, na “borda” da rede.
Ele garante que o mesmo nível de serviço e qualidade de processamento seja mantido em toda a extensão da rede, desde os servidores principais até os dispositivos mais periféricos.
Essa uniformidade é alcançada através da integração de tecnologias e sistemas que permitem a transferência contínua de dados e o gerenciamento uniforme de recursos.
Devido à sua flexibilidade e eficiência, o edge computing é aplicável em uma vasta gama de setores e segmentos de negócios. Vejamos alguns exemplos:
- Telecomunicações: no setor de telecomunicações, o edge computing é usado para melhorar a eficiência das redes 5G. Com o processamento local de dados, a latência é reduzida, culminando na melhoria da experiência do usuário final;
- Indústria e manufatura: Na indústria, o edge computing é aplicado para monitoramento em tempo real e manutenção preditiva. Sensores em máquinas industriais podem processar dados localmente para detectar falhas iminentes ou otimizar a produção sem a necessidade de enviar todos os dados para um servidor central. Isso acelera o processo de tomada de decisão e reduz o tempo de inatividade das máquinas;
- Transporte: nas áreas de logística e transporte, o edge computing é utilizado para otimizar rotas e gerenciar frotas em tempo real. Sensores são conectados aos veículos para coletar e processar dados sobre condições de tráfego, eficiência de combustível e estado do veículo, permitindo que as empresas façam ajustes instantâneos para melhorar a eficiência operacional;
- Serviços públicos: no setor de serviços públicos, o edge computing pode ser usado, por exemplo, para gerenciar redes elétricas inteligentes. O processamento local de dados ajuda a otimizar a distribuição de energia, detectar falhas em tempo real e melhorar a resposta a emergências, garantindo um fornecimento mais estável e eficiente;
- Outros setores: outros exemplos de aplicabilidade do edge computing são áreas como saúde, onde ele pode ser usado para monitorar pacientes remotamente e responder rapidamente a emergências médicas, e varejo, onde ele pode ajudar a personalizar a experiência do cliente em tempo real.
Qual é a diferença entre edge computing e cloud computing?
Para entender a diferença e a relação entre edge computing e cloud computing, precisamos recordar o significado deste último conceito.
Cloud computing ou computação em nuvem é uma tecnologia que permite o acesso remoto a uma ampla gama de serviços, como armazenamento de dados, servidores, bancos de dados, redes e software, através da Internet.
A computação em nuvem opera em grandes data centers distribuídos globalmente, onde os dados são processados, armazenados e gerenciados.
Assim, sua principal vantagem é a escalabilidade, permitindo que as empresas aumentem ou diminuam os recursos conforme necessário, sem precisar investir em infraestrutura física.
Ou seja, tanto o cloud computing quanto o edge computing envolvem o processamento de dados e o fornecimento de serviços por meio da internet, o que leva alguns gestores a pensar que as duas tecnologias são equivalentes ou até substituíveis.
É claro que as duas oferecem flexibilidade e podem ser escaladas conforme as necessidades do negócio, além de serem utilizadas para reduzir custos operacionais, melhorar a eficiência e suportar uma grande quantidade de dados.
Essa similaridade, porém, não deve obscurecer as diferenças críticas entre as duas abordagens.
Edge computing e cloud computing não devem ser pensadas como substitutas uma da outra, mas sim como tecnologias complementares.
Isso porque o edge computing foca no processamento de dados sensíveis ao tempo, em que a latência deve ser mínima para garantir uma resposta rápida.
Por outro lado, o cloud computing é ideal para o processamento de dados que não são orientados pelo tempo, onde a latência não é um fator crítico.
No cloud computing, os dados são enviados para o data center centralizado para processamento e armazenamento, o que pode envolver algum atraso devido à distância física e ao volume de dados sendo transferido.
No edge computing, o processamento é feito localmente, próximo à fonte dos dados, o que otimiza o tempo e melhora a eficiência do sistema.
Assim, o edge computing é particularmente útil em locais remotos onde a conectividade à internet é limitada ou inexistente.
Outra diferença importante entre as duas tecnologias é a compatibilidade com dispositivos inteligentes. O edge computing é altamente compatível com dispositivos que precisam de respostas em tempo real para funcionar corretamente.
Por exemplo, em um sistema de automação industrial, a latência mínima é essencial para garantir a segurança e eficiência da operação.
A computação em nuvem, devido à sua natureza centralizada, pode não fornecer a rapidez necessária para essas aplicações específicas, tornando-se menos compatível.
Quais são os principais benefícios do edge computing?
Agora que você já sabe o que é edge computing, que tal conhecer alguns dos principais benefícios que esta tecnologia pode proporcionar ao seu negócio? Confira abaixo.
- Redução da latência: como vimos, o processamento dos dados realizado localmente reduz o tempo necessário para transmitir e processar informações;
- Escalabilidade: o edge computing oferece uma escalabilidade impressionante, permitindo que as empresas expandam suas operações de forma flexível;
- Flexibilidade: a arquitetura descentralizada do edge computing proporciona uma flexibilidade maior, possibilitando a customização dos recursos para atender às necessidades específicas de diferentes setores e aplicações;
- Eficiência: ao processar dados localmente, o edge computing diminui a quantidade de dados que precisa ser enviada para um data center central, reduzindo o tráfego de rede e o uso de largura de banda;
- Estabilidade e alta disponibilidade: o edge computing também melhora a estabilidade e a disponibilidade dos sistemas, já que a operação não depende totalmente da conectividade com a nuvem central. Em caso de falha na conexão com a nuvem, os dispositivos podem continuar operando e processando dados localmente, garantindo a continuidade dos serviços;
- Integridade dos dados: com menos pontos de trânsito, há menos oportunidades para que os dados sejam interceptados ou alterados, o que aumenta a segurança das informações críticas;
- Monitoramento em tempo real: empresas que precisam de atualizações imediatas sobre suas operações podem se beneficiar com o edge computing, pois ele oferece uma visão contínua e instantânea dos processos, facilitando a detecção de problemas e a aplicação de correções rápidas.
Como implementar o edge computing na sua empresa?
Depois de compreender o que é edge computing e conhecer seus principais benefícios, você chegou à conclusão de que esta tecnologia pode favorecer o alcance dos objetivos do seu negócio?
Então é hora de pensar na implementação. Preparamos um passo a passo para que você comece a utilizar este recurso e desfrute plenamente de suas vantagens. Confira abaixo.
1. Avalie as necessidades da sua empresa
Identifique os processos que poderiam se beneficiar da redução da latência, do processamento local de dados e de uma maior eficiência operacional.
Entenda quais são os dispositivos e sistemas críticos para o negócio e como o edge computing pode melhorar a performance deles.
2. Defina os objetivo
Com base na avaliação inicial, é hora de definir objetivos claros e mensuráveis para a implementação do edge computing.
Esses objetivos podem incluir, por exemplo, a redução do tempo de resposta em aplicações críticas específicas, a melhoria da segurança dos dados e a otimização de processos industriais.
3. Escolha a infraestrutura adequada
A escolha da infraestrutura é crucial para o sucesso do edge computing. Por isso, neste momento você precisa definir quais dispositivos serão utilizados para o processamento local, como gateways, servidores locais, e dispositivos IoT.
Além disso, selecione a rede de comunicação que conectará esses dispositivos, garantindo que ela seja robusta e adequada para suportar o volume de dados e a velocidade necessária.
Também é importante considerar o software que fará a gestão e orquestração desses dispositivos e processos.
4. Planeje a integração com os sistemas existentes
O edge computing precisa se integrar harmoniosamente com os sistemas e processos de TI já existentes em sua empresa, incluindo a compatibilidade com a cloud computing, se já estiver em uso, e com os sistemas de gestão empresarial.
Planeje como essa integração será feita, considerando a necessidade de adaptar ou atualizar sistemas para garantir que a nova infraestrutura opere de forma eficiente e segura.
5. Teste a solução escolhida
Antes de uma implementação completa, é fundamental realizar testes em um ambiente controlado.
Você pode criar de um piloto em uma parte específica da operação, onde o impacto do edge computing possa ser avaliado em condições reais.
Durante essa fase, monitore a performance, identifique possíveis falhas e faça os ajustes necessários para garantir que a solução esteja otimizada antes de ser expandida para toda a empresa.
6. Treine a sua equipe
O sucesso na implementação de edge computing depende também da capacitação da equipe envolvida.
Realize treinamentos para garantir que os colaboradores compreendam como funciona a nova tecnologia, como operá-la e como identificar problemas.
7. Implemente gradualmente
Comece com uma implementação gradual, priorizando as áreas em que o edge computing pode gerar maior impacto.
Assim sua empresa vai se adaptando à nova tecnologia aos poucos, minimizando riscos e possibilitando a realização de ajustes.
8. Monitore continuamente
Depois da implementação, a etapa final envolve o monitoramento contínuo da performance do edge computing.
Colete dados sobre a eficiência, a redução de custos, a melhoria de processos e outros indicadores relevantes.
Use essas informações para realizar ajustes e otimizações na infraestrutura, garantindo que a empresa continue a tirar o máximo proveito da tecnologia.
Implementar o edge computing é um processo que requer um planejamento cuidadoso e uma execução minuciosa e para que ela seja um sucesso você pode contar com a AM3 Soluções.